quinta-feira, 24 de março de 2011

O franciscano do Jardim Glória.



Todos nós quando vivemos com a intensidade marcamos as pessoas com as quais nos relacionamos pelo nosso testemunho de vida. As posturas que assumimos diante das pessoas, a nossa maneira de se relacionar ou as coisas boas que fazemos marcam. Os bons exemplos que nos marcaram podem nos dar pistas ou ajudando-nos a viver melhor a nossa própria vida. Recordar esses testemunhos podem suscitar o desejo de sermos pessoas melhores seguindo os pegadas deixadas por pessoas que viveram bem possamos também nós sermos fiéis aos nossos ideais vivendo-os de maneira frutuosa e criativa.
Foram seres humanos que como nós, mas souberam encontrar uma luz que os guiou na vida e continua a brilhar quando recordamos seus gestos e reforçamos o pensamento de sermos fiéis aos nossos propósitos. Meditando a frase da beata de Calcutá quando diz que: “ o amor deve ser um gesto concreto mesmo que seja pequeno, mas concreto”, ou seja se ama com todo o coração, com o corpo, com a entrega de sí, não somente com a intenção, por boa que seja, e como não se ama somente com o intelecto ainda que esse nos ajudem a amar.
Em modo, contemplativo e afetivo vemos os nossos irmãos maiores que fizeram a história, não porque mudaram o mundo, mas porque souberam viver com sabedoria e coerência praticando aquilo que pregavam e mostrando a razão e o motivo pelo qual viviam. Podemos citar : João Paulo II, Madre Teresa de Calcutá, Charles de Foucauld ou Dag Hammarskjöld pela coerência com que viveram aquilo que ensinavam, em modo que a boca falava o coração estava cheio e se traduzia em vida.
Esses são grandes personalidades são indivíduos exemplares que admiramos, não somente no mundo religioso, porque são testemunhas válidas de que vale a pena fazer escolhas na vida e ser coerente com a opção feita e para todos nós são uma força que anima impulsionando o nosso desenvolvimento da consciência e da responsabilidade na busca de uma sabedoria existencial e relacional que contribua a caminhada de toda a humanidade.
Entre tantos frades capuchinhos da Província de São Paulo um que sem dúvida merece ser recordado, quase treze anos após a sua morte é Frei Francisco Erasmo Sigrist(1932-1998), o franciscano do Jardim Glória. Esse frade que assumiu o carisma da sua Ordem sabendo traduzir em gestos concretos encarnando- o em sua vida, em modo que sua contribuição é significativa como um testemunho franciscano-capuchinho. As pessoas que tiveram a oportunidade de conhecê-lo puderam perceber na sua pessoa uma simplicidade e humildade franciscana, seja pela sua opção de estar no meio dos pobres, trabalhando com eles, colocando-se com eles, como um deles.
Podemos dizer que recordou com a vida o quando se lê no capítulo sétimo da Regra Não Bulada de São Francisco, “ que os frades sejam menores ”.
Olhando para a história dos capuchinhos construida tendo como referência a humildade e a simplicidade que tem expressão na minoridade percebemos que “estar pobre entre os pobres” sempre foi e continua sendo uma baliza essencial para o carisma da bela e santa reforma, que a assumiu como um dos pilares fundamentais visto que os seus maiores santos, e as figuras que adiquirem importancia, de certo modo se tornam referência para a Ordem Capuchinha, não foram os intelectuais, ainda que esses também se encontram, mas foram os frades mais simples que faziam trabalhos manuais como porteiro, esmoleiro, sacristão, que como verdadeiros menores, na sua simplicidade faziam tanto bem a todo o povo de Deus, principalmente os mais pobres.

Frei Emerson Aparecido Rodrigues, frade menor capuchinho, bacharel em teologia pela Pontificia Universidade Antonianum, Roma, é estudante de Mestrado em Teologia Espiritual com especialização em Franciscanismo.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Em Assis, meca do cristianismo



Por Sinomar Calmona Especial da Italia Devoto e admirador da história de vida de São Francisco de Assis, emocionei-me ao percorrer as mesmas vielas estreitas e tortuosas por onde o santo passou no século XII, na cidadela de Assis, a 27 km de Perugia, principal cidade da Umbria, a 203 km de Roma. Um dos lugares mais importantes do cristianismo, visitado por peregrinos de todo o mundo, Assis é cercada de uma atmosfera de mística de paz, lembranças franciscanas e numerosas obras de arte. Nem parece que passou pelo grave terremoto de setembro de 1997. Boa parte resistiu milagrosamente aos danos, e o restante foi muito bem restaurado após dois anos de obras. Chego à Basílica de São Francisco de Assis por volta das 11h30, cheia de turistas ruidosos. Passo pelo Museu das Relíquias de São Francisco onde todos admiram a rusticidade e humildade da túnica de Francisco, confeccionada com retalhos e os seus chinelos com os quais correu a Europa e o Norte de África. Imagino o seu sacrifício e espírito de entrega, comparando com os peregrinos de hoje, apetrechados com equipamento de alta tecnologia, vestuário e calçado resistente à chuva e neve, bússolas, telefones móveis, GPS, mochilas e demais equipamentos. Rumo à cripta onde está enterrado o santo, no subterrâneo da basílica, bem próximo, ouço um frade falar em português. Reconheci na fila um jovem de Santo Anastácio, Frei Emerson Aparecido Rodrigues. Membro da Ordem dos Frades Menores Capuchinos, estava acompanhado do colega Frei José Clementino da Silva, natural da cidade paulista de Assis. Frei Emerson disse que “visitar Assis é sempre emocionante”. “Estamos aqui para orar por um mundo melhor e por uma consciência coletiva positiva que traga a Paz e a Harmonia ao mundo”, comentou Frei Emerson que acompanhou o nosso grupo na visita a vários lugares de Assis, e foi contando sua história. Lembrou que se sentiu tocado durante as novenas de Natal, aos 14 anos, em Santo Anastácio. No mês vocacional foi para o Seminário Diocesano de Prudente e lá encontrou a irmã franciscana Dirce, e o caminho para chegar à Ordem dos Capuchinos. Já trabalhou três anos numa favela em Santo André, um ano com moradores de rua em São Paulo e está em Roma há um ano, onde atua na recepção do Colegio San Lorenzo de Brindisi e faz licenciamento em Espiritualidade Franciscana. Sente saudades da mãe d. Rita, que mora em Santo Anastácio, e da irmã Edna Aparecida Rodrigues, que trabalha no Hospital Regional de Prudente. Espera revê-las no próximo ano, contou ao se despedir.



quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Mensagem da Jornada Mundial da Juventude 2011


" Enraizados e edificados em Cristo e confirmados na fé" (Col2,7)


Digamos que esse é o lema para a da mensagem do Papa Bento XVI para a Jornada Mundial da Juventude, 2011, Madrid. O Santo Padre começa a mensagem recordando a comunhão vivida em Sidney,2008 e recorda também que em momento forte de conflito na Europa como na queda do muro de Berlim, 1989, os jovens reunidos fizeram uma parada na Espanha.

Ao mesmo tempo percebe que os jovens de hoje tem uma necessidade de viver relações baseadas na verdade e na solidariedade. Por isso, os jovens se questionam sobre o sentido da vida e estão constantemente buscando. Como diz Santo Agostinho, o homem é criado para grandes coisas, e busca com o coração inquieto! Consciente de que fala para pessoas que vivem em meio a uma mentalidade secularizada e laicista, que relativiza tudo, o Santo Padre recorda:

" Compreendemos que é um contra sentido pretender eliminar Deus para viver o homem(Deus é fonte da vida eliminar-lo equivalea separar-se dessa fonte."

O problema é sério os riscos de excluir Deus da nossa vida como nos pregam tantas ideologias modernas, diante dessa realidade somos convidados a intensificar o caminho de fé.

O Santo Padre aplica três símbolos apresentados nessa perícope:

Como uma árvore devemos nos enraizar, e edificar a casa(construção), e confirmados e fortalecidos, um crescimento em sentido físico, mas também moral. Porque a " fé cristã não cre ba verdade, mas é relação pessoal com Jesus Cristo, é encontro com o Filho de Deus, que dá toda a existencia e dinamismo novo."

Na relação com Cristo, Ele nos revela nossa identidade: Qual é o sentido da minha vida? E essa minha estrada? Ser enraizado em Cristo significa responder concretamente o seu chamdo colocando em prática Sua Palavra.

O sentido da nossa vida tem toda a sua referencia em Cristo, pois o cristão deve conformar-se a Cristo.

O Papa recorda os jovens de não deixar-se influenciar por outras propostas:" Não acreditem em quem diz que vocês não precisam dos outros para construir as suas vidas! Se apoiem na fé da Igreja..."

Devemos sempre nos fortificar-nos na fé pois" o contexto laicista que quer marginalizar Deus" porém " o mundo sem Deus vira um inferno".

É Cristo morto e ressuscitado é o centro da nossa vida e da fé cristã. " A cruz nos dá medo, mas ela é expressão máxima da vida"

Como crer em Jesus sem vê-lo? Também a nós é possivel tocar Jesus. Ele se doa a nós na Eucaristia, na Reconciliação e podemos reconhecê-lo e servi-lo nos mais pobres e doentes. Viver a fé é essa adesão pessoal do homem a Deus.

Fortificados pela fé da Igreja para ser testemunhas: um testemunho concreto.

O Santo Padre conclui dizendo aos jovens: " A Igreja conta com vocês! Necessita da fé viva, da caridade criativa e do dinamismo da vossa esperança"

Amados jovens penso que cada um de nós pode ouvir pessoalmente esse apelo do Santo Padre, nós precisamos do tesouro da fé conservado pela Igreja, ela como mãe e mestra pode nos ajudar a vencer as dificuldades do mundo moderno e a Igreja também precisa do nosso entusiasmo da nossa jovialidade.

Que Deus nos ajude a responder com generosidade esse convite.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

A importância do testemunho de uma vida vivida com alegria e esperança.



" No seguimento de Jesus, todo chamado à vida de especial consagração deve esforçar-se para testemunhar o dom total de si a Deus" (Bento XVI)


Na sua mensagem para o 47° dia Mundial de oração pelas vocações, cujo tema era: " O Testemunho suscita vocações", o Santo Padre chama a atenção sobre a importancia do testemunho dos sacerdotes e consagrados como instrumento para despertar outras vocações, recorda que a vocação depende da ação gratuita de Deus, mas com certeza é favorecida pelo testemunho de quem respondeu com generosidade, dando seu sim, é fator fundamental e decisivo em ambito voacional para que outros jovens se sintam impelidos a responder ao chamado do Senhor.
Recorda, Bento XVI, que Jesus é o "Supremo testemunho de Deus", que chama os homens a testemunhar aquilo que anunciam como os profetas e os discípulos. Lembrando que a vocação nasce de um encontro profundo com o Senhor assim como acontece com João Batista, e com Pedro que é tocado pelo testemunho de André: " A iniciativa livre e gratuita de Deus interpela a responsabilidade humana de quantos acolhem o seu convite a se tornarem instrumentos, com o próprio testemunho do chamado divino."
E continua o Papa afirmando que Deus usa o testemunho dos sacerdotes e consagrados hoje, para chamar outros, destacando três pontos fundamenteais desse testemunho:
1- A consagração e a amizade com Cristo sendo a oração o primeiro testemunho que suscita vocações, estar numa relação de continua de comunhão e diálogo com Deus.
2- Outro aspecto destacado é a entrega total de sí, a Deus, como Jesus que faz da sua existência, o cumprimento da vontade do Pai. Os sacerdotes e consagrados devem se doar a exemplo do lava pés exprimindo pelo serviço os dons manifestados em sua vida e a obediência ao Pai.
3- O terceiro e não menos importante é viver uma vida em profunda comunhão, mesmo nas adversidades, continuar caminhando unidos. Sobretudo, sua Santidade ressalta que a alegria que os sacerdotes devem demonstrar a beleza de ser sacerdote e consagrado, é o que pode suscitar nos jovens a vontade de ser felizes do mesmo modo: " Cada presbitero, cada consagrado e consagrada, fiéis a sua vocação transmitem a alegria de servir Cristo, e convidam todos os cristãos a responder ao universal chamado a santidade.
Conclui a mensagem insistindo sobre a importância do testemunho pessoal, que através do diálogo e do exemplo de vida possa ser útil iluminando e guiando os jovens no seu discernimento, e recomenda a cada um, uma reflexão sobre a própria vocação. Abençoando e confiando todos a Virgem Maria, mãe da Igreja conclui-se a mensagem que deve nos animar a sermos testemunhas vocacionais porque chamados, e respondendo a essa vocação que o Senhor nos deu devemos ser estímulo para aqueles que se sentem que se querem ouvir o chamado.