Esse blog é dedicado a vida de oração e espiritualidade. Contem reflexões, orações e pequenos artiguinhos que possam ajudar as pessoas a viver essa prática.
terça-feira, 8 de abril de 2014
quarta-feira, 2 de abril de 2014
O Papa Francisco é uma nova esperança para a Igreja
Com o meu coração ainda agitado e pleno de alegria pego na caneta e tomo o lugar a escrivaninha para escrever esse artigo. Não devemos refletir coisas sérias tomadas simplesmente pelas emoções, mesmo se não nos deixamos levar somente por elas é impossível não demonstrar os sentimentos, e confesso que os acontecimentos da ultima escolha do Papa me emocionaram e impressionaram positivamente.Durante todas as discussões a respeito do próximo Papa e do conclave sinceramente procurei não me expressar vendo que tudo era somente opinião e especulação qualquer um dos 115 cardeais poderia ser o novo Papa. Em todo caso seja no meu trabalho, no contato com as pessoas ou meus amigos perguntava quem sera o novo Papa? Sempre respondi categoricamente: “Não me interessa a cor, ou a nacionalidade do Papa ! Se sera eleito um latino-americano, um africano, ou um norte-americano. Desejo apenas que seja um homem do nosso tempo capaz de enfrentar os desafios atuais e dialogar com os seres humanos do nosso tempo com o carisma para ser um líder espiritual que saiba guiar a Igreja do século XXI.”
Ao mesmo tempo não posso esconder que fiquei entusiasmado quando se falava de Sean Patrick O’malley, o cardeal capuchinho de habito e sandálias que servia os pobres. Pela sua opção de vida, simplicidade, austeridade na pobreza, e por estar no meio do povo com disponibilidade e abertura seria belo um Papa que é irmão. Tinha ouvido uma pessoa falar do cardeal Jorge Mario Bergoglio, atualmente Papa Francisco, mas não conhecia nada do seu modo de ser e sobre o seu ministério, a unica informação que sabia é que era argentino.
Mas no momento em que o novo Papa apareceu na sacada de São Pedro não negar que foi impactante uma simplicidade desarmante. Em primeiro lugar por ter renunciado a usar todos os paramentos que se esperava do Papa e aparecer modestamente vestido de branco, e usando a mesma cruz com a qual chegou a Roma, são pequenos particulares que poderiam não dizer nada, mas sabendo sobre o seu modo de viver simples e despojado, esses pequenos símbolos de despojamento já comunicam uma profunda mensagem. A outra mensagem é o próprio nome de Francisco, que ainda não tinha sido escolhido por nenhum outro Pontífice a escolha do nome quer comunicar uma mensagem, escolheu Francisco em homenagem a Francisco de Assis, um dos santos católicos mais abertos ao dialogo conhecido e admirado em todas as religiões e culturas e respeitado até mesmo por aqueles que não creem. Francisco de Assis atravessa os muros do catolicismo e comunica a mensagem de paz, amor, e fraternidade entre todos os seres humanos, principalmente com os mais pobres e não somente entre os seres humanos irmanados mas com toda a a criação, a fraternidade universal. A escolha desse nome comunica um programa de vida e uma forte proposta de pontificado sem sombra de duvida. Outro gesto importante é o modo como se apresentou Ele disse: “ Irmãos e irmãs, boa noite !” um Papa que se coloca não acima do seu povo, mas como irmão com todos os católicos. No seu pequeno discurso falou duas vezes de fraternidade. O fato de quebrar o protocolo optando por fazer as coisas em modo muito mais simples e normal sem todas as pompas diz muito do seu modo de ser.
No discurso pronunciado não falou de si mesmo nenhuma vez como o Papa, mas sublinhou o seu ministério como o Bispo de Roma, evocando todo o significado teológico da Igreja de Roma e carga simbólica do Bispo de Roma. Destaco um pequeno trecho do seu discurso:
“ E agora iniciamos este caminho. Bispo e povo ... este caminho da Igreja de Roma que é aquela que preside todas as Igrejas na caridade. Um caminho de fraternidade, de amor e de confiança entre nós. Rezemos sempre uns elos outros. Rezemos por todo o mundo, para que haja uma grande fraternidade. Espero que este caminho da Igreja, que hoje começamos e no qual me ajudara o meu cardeal Vigário, aqui presente, seja frutuoso para a evangelização dessa bela cidade.”[1]
Foi interessante sublinhar o papel da Igreja de Roma a presidir as outras Igrejas na caridade me fez recordar a teologia patrística e os Padres da Igreja com essa expressão, além de mostrar muito mais uma posição de colegialidade e comunhão que um Pontificado centralizador como nos dois precedentes pontificados, onde todas as decisões eram tomadas a partir de Roma tirando a autonomia das igrejas particulares. A ideia de fazer um caminho juntos é interessante o que mostra que estará escutara escutando e dialogando muito mais que decidir as coisas horizontalmente.
Não tenho duvida que muitos católicos em todos os continentes que acreditam na reforma da Igreja para que ela possa corresponder a sua missão de caminhar junto com a humanidade, não acima, nem as margens, mas junto com a humanidade respondendo aos desafios dos tempos. Tantos que sonham com uma Igreja radicada extremamente no Evangelho, que esteja preocupada em servir a humanidade testemunhando vivamente os valores do Evangelho, não somente com belos discursos, mas com uma pratica de vida, que a sua hierarquia não se reduza ao papel hierarquia distante do povo, mas que os bispos sejam verdadeiramente pastores que caminho em meio ao seu povo de Deus, com esse compromisso de viver como irmãos, a Igreja como um todo possa ser missionaria em movimento, em caminho construindo o Reino de Deus, e sendo fiel a Jesus Cristo e o que Ele ensinou: o amor ao próximo.
Que a Igreja, o povo de Deus possa sair pelas estradas a anunciar e saia da sacristia, da posição defensiva em relação ao mundo terminando ou diminuindo a mentalidade curial, legalista, e juridicista Esperamos um Papa que seja um irmão de todos como o nome de Francisco sugere, que presida uma Igreja que se identifique não com o triunfalismo, a defesa institucional e de privilégios, mas que seja de um rosto humano e solidário com o ser humano do nosso tempo que caminhe pelas estradas como irmãos de todos principalmente dos pobres.
Temos a esperança de um Papa que tenha a coragem a sabedoria de fazer a reforma da Curia Romana que reduza todas as pompas, e a mentalidade da corte dos príncipes do passado, que converta a estrutura em menos burocrática e mais evangélica e que ajude a instaurar em toda a Igreja relações mais fraternas, solidarias e baseadas na simplicidade evangélica.
Precisamos de uma Igreja menos hierarquizada e mais fraterna que precisa ser purificada e edificada para que possa atingir a sua missão evangélica A esposa de Cristo tem que ter a coragem de assumir o compromisso com o Cristo Esposo Crucificado, senão assumir radicalmente essa identificação com o Cristo Crucificado poderemos ser tudo até mesmo uma ONG piedosa, mas não a Esposa de Cristo, como disse o Papa Francisco ontem na missa na capela Sistina.
Acredito do mesmo modo que tantos irmãos e irmãs pelo mundo inteiro que estamos diante de um novo tempo, e esse pontificado apresenta uma nova esperança para a Igreja Católica. Transcrevo um comentário do teólogo franciscano Leonardo Boff no Twitter “ O Papa Francisco é uma promessa. Primeiro o nome S. Francisco recebeu de Cristo pedido de reconstruir a Igreja. Francisco é um irmão universal.” , e concordo com Boff no sentido que o novo Papa é uma promessa de renovação, de conversação, de volta ao ideal evangélico, de simplicidade e acrisolamento das estruturas e uma purificação do modo de ser da Igreja de Roma. Continuo rezando para que o Espirito Santo auxilie o Pontífice na sua missão e que possa cumprir dignamente a renovação estrutural e espiritual a qual acreditamos que foi chamado. Amém
Frei Emerson Aparecido Rodrigues, OFMcap. Nascido em Santo Anastácio interior de São Paulo. Estudou Teologia Espiritual com aprofundamento em Franciscanismo. dedica- se a pastoral, a oração e o estudo dos valores franciscano-capuchinhos.
A presença da mulher na Igreja.
O
ideal seria não precisar existir um dia especial de luta para lembrar que
coisas tão fundamentais deveriam ser realidades para todos e não um caminho
ainda distante a ser percorrido. Sabemos que o dia internacional da mulher que
comemoramos em 08 de março todos os anos,
mas que ser uma festividade do calendário civil é um dia de
luta pelos direitos da mulher que em vários setores da sociedade não recebe o
devido valor como ser humano.
Embora
realizando as mesmas funções e competências dos homens, na maioria das vezes é
tratada como inferior ou um profissional de segunda categoria fator
discriminante visível nas condições de trabalho ou no salário. Nos causa profunda tristeza e indignação que,
com todo o progresso tecno-científico e recursos de nossa sociedade em muitos
temas, a dignidade da mulher na sociedade ainda se encontra com notável atraso.
Mas enquanto não conquistamos a meta desejada vamos sonhando e lutando, projetando
as nossas expectativas em um futuro melhor,
e exigindo dos nossos lideres e dos nossos iguais uma mentalidade
endereçada no sentido de possibilitar uma transformação efetiva da sociedade,
para que os direitos e a dignidade de mulheres e homens sejam garantidos e
respeitados, e assim, possamos viver a plenitude do projeto originário de Deus.
Infelizmente,
também na Igreja, mesmo se propondo a viver segundo a ótica evangélica muito
deve ser construído e fortalecido. A Igreja caminha com a sociedade e reflete muitas vezes
valores da mesma. Assim, como na sociedade existem alguns setores que
assimilaram a importância do papel exercido pelas mulheres, outros ainda não
aprenderam a reconhecer e valorizar devidamente, e na Igreja acontece de modo
semelhante.
Recentemente,
o Papa Francisco dedicando algumas palavras sobre a importância da mulher na
Igreja, e reconhecendo o seu protagonismo de fundamental importância, ressaltou
que não se trata de clericalizar as mulheres para poder valorizá-las
devidamente, mas de criar instrumentos que reconhecessem essa importância real
e significativa na obra evangelizadora e na missão da Igreja no mundo.
De
nossa parte, devemos reconhecer que uma estrutura machista e patriarcal é
predominante, visto que o centro da decisão parte sempre de homens pertencentes
ao clero. Intimados a resgatar o espírito primigênio que move nossas
comunidades, colocando no centro a Palavra de Deus inspirados primeiramente em
Jesus e sua solidariedade para com as mulheres, e na pratica das primeiras
comunidades. Colocamos como uma exemplar
elucidação, a Carta aos Gálatas que ilumina a pratica da comunidade, recordando
que homens e mulheres sãos novas criaturas
regenerados em Cristo, consequência pratica do batismo, pois através
dele todos somos novas criaturas em Cristo e com a dignidade recebida todas as
diferenças são eliminadas. Homens e mulheres, recriados e resgatados são agora
o sacramento da nova criação e instrumentos da restauração do projeto originário
de Deus.
A
Igreja como portadora da mensagem que resgata a nova humanidade restaurada em
Cristo, deve comunicar ao mundo essa
verdade fundamental sempre nova, e
apresentar a construção dessa nova humanidade que se espelha no Filho de Deus,
e gerada Nele através do seu testemunho
concreto e da sua prática do amor que se inicia dentro da própria comunidade de
fé.
Cabe
a cada um de nós, homem ou mulher fortalecer
a ação da nossa comunidade e reconhecer a importância das nossas irmãs, de
modo que a sua presença, ação e ministério, sejam reconhecidos e devidamente
valorizados. A vertente da igualdade em Cristo
entre homens e mulheres perante Deus e a comunidade, é um tema urgente
que deve ser retomado na sua centralidade.
Olhando
superficialmente percebemos que os componentes das várias pastorais, movimentos
e grupos paroquiais são seres humanos do sexo feminino. O rosto da Igreja esposa de Cristo é
feminino, se as mulheres pararem toda a comunidade para.
Por
isso, minhas irmãs impelidas pelo Espírito, força criativa de Deus-Amor,
continuemos animados e animadas pela esperança, renovando a nossa fé e
testemunhando o amor na comunidade e no mundo, sempre atentas a nossa dignidade de criatura nova.
Frei Emerson Aparecido Rodrigues
Fraternidade Capuchinha da Paroquia Santo Antonio de Cajati/SP
domingo, 14 de abril de 2013
Sem Pai
Sem Pai ...[1]
Queridos jovens, é com o coração nas mãos que escrevo
a voces para contar um pequeno pedaçinho da minha história, não porque eu seja
uma pessoa importante, mas para ser um testemunho daquele em que creio.
Me consagrei ao Senhor Deus e Ele me sustenta sempre
nos momentos em que sou fraco e quero
deixar tudo, são nesses momentos que vejo
Ele se empoderar da mia vida e me reforçando, me renova ara que eu seja
sempre disponivel a recomeçar. Eu sou o Frei Emerson, brasileiro e tenho 31
ano, sou um frade menor capuchinho que ha alguns anos me encontro na Italia.
As
dificuldades na familia.
Eu nasci numa familia que tinha algumas dificuldades
como a maior parte das familias de hoje. Quando eu tinha 9 anos, os meus se
divorciaram . Meu pai foi embora e a minha mãe permaneceu cuidando da familia
com muito sacrificio. Eramos minha mãe, eu e uma irmãzinha que na época
tinha 3 anos e a minha avó que se
chamava Josefa, que depois que viuva se sentia sozinha e cansada.
Mia mãe procurava em todos os meios nos manter, não
tendo títulos academicos, mas também não queria trabalhar de empregada
domestica, e a única opção era trabalhar nos campos, mesmo se nesse tipo de
trabalho braçal se trabalha muito e se ganha muito pouco. Mesmo se a minha avó que era aposentada o
dinheiro era pouco. Por isso, a idade de 9 anos comecei a procurar trabalho
para ajudar a minha família. Então comecei a bater em tantas portas e recebi
alguns não como resposta. Quando já tinha perdido as esperanças uma senhora que
queria uma menina para ajudar na cozinha e cuidar do jardim me aceitou. Naquele emprego ganhava pouco, mas tinha o
que comer.
A minha avó cuidava da casa e da minha irmã e a minha
mãe trabalhava fora o dia todo. Eu trabalha de manhã e estudava a tarde, as
vezes nos finais de semana permanecia na casa em que trabalhava.
O
fascínio por São Francisco.
O fascinio por São Francisco me entusiasmou a deixar o
meu trabalho, na época secretário de uma escola de educação especial, para
entrar no convento. Por quais motivos? Pela vida fraterna, pela simplicidade
dos frades e sobretudo porque queria doar a minha vida aos pobres como São
Francisco. Quando conheci os frades não tive dúvidas que era alí que Deus me
queria.
Durante os anos da formação a vida religiosa, procurei
com sinceridade de me fazer santo, mas tenho consciencia que tinha sempre muito
para aperfeiçoar: não me sentia um verdadeiro filho de São Francisco. Me
culpava de rezar pouco, de não ter uma vida espiritual intensa como achava que
devia, de não me doar ao estudo o suficiente, e principalmente aos pobres,
sentia que faltava tanta coisa.
Mesmo a questão da minha familia não era tranquila
dentro de mim era um espinho. Não dizia nada a ninguém, quando alguem
perguntava do meu pai, eu saia ou mudava de assunto, ou fazia alguma piadinha.
Na realidade não conseguia aceitar a dor por ter sido abandonado, sentia a
falta em todos os momentos importantes da minha vida, eu sempre tinha que me virar sozinho, porque
a sua presença não tinha. Me perguntava: Porque a mim? O que eu fiz para sofrer
tanto assim? Tudo isso me causava um sentido de rebelião seja na relação com as
pessoas, mas também em relação a Deus. Imaginem um frade capuchinho que briga
até com Deus !
Em
busca do meu pai.
Os meus superiores me pediram para vir a Roma e
aceitei com entusiasmo. Procurei fazer de tudo para aprender o novo idioma e o
novo trabalho: ser porteiro num imenso convento chamado Colégio Internacional,
onde vivem os frades capuchinhos do mundo inteiro que estudam nas universidades
pontificias.
Enquanto estava na portaria e respondia o telefone e
abria o portão tinham muito tempo disponivel seja para rezar, para meditar,
para fazer leituras espirituais, como também para entrar dentro de mim
mesmo. E desse modo percebi os meus
sentimentos mais profundos e os pensamentos escondidos dos quais antes eu não
tinha plena consciencia talvez pelas atividades pastorais e a vida agitada.
E chegou o momento que tive que enfrentar o assunto
familia e comecei a rezar para ver as
coisas de uma outra maneira pedindo a Deus de chegar onde eu não podia chegar.
E o Senhor respondeu não do meu jeito, mas do jeito dele. Eu orei a Deus de
voltar ao Brasil e para procurar meu pai
coisa que eu já tinha feito mas sem sucesso. O Senhor na sua misericórdia
atendeu as minhas orações.
Através de amigos e conhecidos seguindo os conselhos e
as dicas e confiando sobretudo na força da oração e fiquei sabendo que meu pai
estava vivo e que se encontrava na cidadezinha Jauru. O meu coração estava
angustiado e não tinha paz. Continuei a repetir: Enquanto eu não souber
verdadeiramente se é ele não deixarei ninguém em paz.
Depois de dias de telefonemas e depois de incomodar as
pessoas na Prefeitura, na Igreja e na Policia, uma pessoa se disponibilizou a me ajudar e no mesmo dia
eu sabia que meu pai estava vivo e se encontrava no asilo da cidade. Quando
tive a certeza comecei a não dormir a noite. A solicitude paterna do Senhor se
manifestou através da ternura do Reitor do Colégio, frei Isidor Peterhans, que
me ajudou a preparar-me seja humanamente que espiritualmente para esse forte
momento de encontro com meu pai.
Durante as férias de Páscoa voltei ao Brasil e
permaneci ali com pai durante a Semana Santa. Pra mim foi o mais bonito
presente que o Senhor me deu, uma verdadeira e propria Ressurreição ! Todo o
sofrimento desses anos, todas as dificuldades e as rebeliões foram curadas.
Assim eu pude abraçar o meu pai que por mais de 21 anos não sabia noticias
dele, nem mesmo se estava vivo.
Com
o coração agradecido.
Por essa
maravilha que o Senhor fez por mim sou agradecido e sempre serei! O
motivo pelo qual compartilhei esse epsodio da minha vida não é aquele de
colocar em evidencia a minha pessoa, mas fiz para celebrar Deus que me chamou a
segui-lo, me sinto apaixonado por Ele, porque Ele me cuida , me cura, me consola, e ama sempre. Tudo aquilo que
possa fazer por Ele não é nada se
comparado ao amor que o Senhor tem para cada um dos seus filhos. Por isso, com
a minha vida e a minha vocação quer entoar um canto de louvor e de reconhecimento
ao Senhor. Que o Senhor vos abençoe e vos atraia para Ele para gozar do seu
amor e da sua bondade que são sem limites.
Frei Emerson Aparecido Rodrigues, OFMcap.
[1] Esse artigo é a tradução em
lingua portuguesa do texto publicado em italiano na revista de animação juvenil e vocacional
da Provincia Veneta dos Capuchinhos. Fra
Emerson Rodrigues, Senza Padre, in Via
Libera 2 (2012),p. 26-28.
sexta-feira, 5 de abril de 2013
Na boca das mulheres, o Evangelho faz caminho ...
Somos em 15 mulheres que se reúnem
semanalmente para o estudo e reflexão da Bíblia e conversar, o qual chamamos de
Circulo de Biblia do Stella Maris. Grupo
que está junto há mais de 10 anos, sob a orientação da Irmã Liz, hoje afastada.
Às vezes, mais conversamos do que estudamos. Nossa reflexão passa e se
fortalece na Palavra de Deus, porque tudo que tem ali tem na vida. Nessa reunião
não existe o professor nem o aluno. Somos avós, mães, esposas, donas de casa,
agentes de pastoral, enfim mulheres comuns, mas, diferentemente das mulheres da
Bíblia, temos nome: Marta, Dita, Dirce, Madalena, Rose, Thereza, Selma, Celita,
Maria do Carmo, Vera, Heloisa, Marialva, Rosangela, Amália, Neuza, Narcisa.
Engraçado como a palavra de Deus vai
fazendo caminho dentro da gente e até onde ela vai nem sequer desconfiamos.
Deixamos ela seguir livremente o caminho como um rio, às vezes encontrando
obstáculos nas beiradas, às vezes seguindo bem depressinha, porque as águas estão
límpidas, às vezes tornando-se turva porque está bem no raso, mas o mais
importante é que ela não pára.
Tivemos uma experiência muito
enriquecedora no nosso primeiro encontro do Circulo, com as mulheres que
partilham a Palavra de Deus e, principalmente, a vida! A Palavra sem vida não é
Palavra, e a vida sem a Palavra não é vida! Às vezes ponho-me a refletir de que
sabemos mais umas das outras do que dos nossos parentes. E nos preocupamos umas
com as outras e nos alegramos igualmente quando alguma delas depois de um bom
tempo, reaparece. Coisas de Deus!
Estávamos meditando no Evangelho de
Marcos, o primeiro capítulo, nos versos
de 1 a 13, que trata do Anúncio da Boa Nova de Deus. Depois de cantarmos
alegremente, (e como adoramos cantar!),
pusemo-nos a meditar o texto: descobrir a palavra de Deus na vida. E
como diz Carlos Mesters, “é aqui que se coloca o sal na comida”. Então, depois
de ler em conjunto, paramos e meditamos um bom tempo, ruminando a palavra que
acabamos de proclamar, transportando-a para nossa vida em família, na
comunidade, no grupo, na pastoral, etc.
Nessa perícope a comunidade de Marcos, vai
afirmar que assim como aconteceu com Jesus, onde “a Boa Nova de Deus revelada por Jesus não
caiu do céu, mas veio de longe, pelo chão da vida, através da história, e que
essa Boa Nova teve um precursor, ou seja alguém que preparou a chegada de Jesus”,
a nós também em pleno 2013, essa palavra nos chega através de pessoas que com
sua história e através de acontecimentos, nos mostram e indicam um caminho que
leva até Jesus.
Refletimos que a nossa vida não pode
passar em branco, porque seremos julgadas pela quantidade de amor que tivermos
dispensado aos nossos irmãos e irmãs. Por isso a Palavra tem que fazer um
percurso na nossa vida para termos uma história.
Daí que quando passamos para o ítem “despertar o ouvido para escutar”, nos
deparamos com um questionamento: “Qual a missão que Jesus descobriu para si
mesmo na hora do batismo e o que tudo isso ensina para nós hoje?” Vieram respostas tão ricas, e tão bem fundamentadas,
nascidas no miudinho da vida de cada uma, que ficamos muito tempo ouvindo ....
ouvindo ..... Também de uma singeleza e de uma simplicidade que se tornaram palavras
proféticas saindo da boca de mulheres.
Pronto! Agora “a comida ficou
pronta!”. Relembramos, que tal como
Jesus foi enviado ao deserto, também nós estamos passando através da santa
quaresma, por um tempo de deserto = purificação. Tempo em que há um clima todo
especial, que nos envolve e nos faz avaliar a vida e a buscar a conversão
diariamente, esperando que mesmo ao seu término, nosso exercício diário
continue.
Indo mais prá frente, meditamos nessa
perícope que o ensinamento, alicerçado na descoberta da missão na hora do
batismo com Jesus inserido na comunidade, é o servo que pratica a justiça e a
solidariedade e passa a propagar e executar o projeto do Reino de Deus, E nós, igualmente, no dia do nosso batismo, também ouvimos “Tu
és o meu Filho amado, em ti me comprazo” (Mc 1,11).
Recebemos, nesse momento, cada uma de nós
uma torrente de amor que brotaram dessas palavras e fomos inseridas numa
comunidade de fé. E a nossa missão não é
diferente, não! Continuar a missão é o que se espera de cada uma! A nossa
missão tem que obrigatoriamente passar pela missão de Jesus. Não existe outro
caminho disponível, nem um atalho para que possamos desviar.
Com essa partilha terminamos a reunião,
nos perguntando: “o que o texto nos faz dizer a Deus?”
Então, louvamos, cantamos e,
principalmente, nos comprometemos com a prática do Evangelho, pedindo forças
para não esmorecer na caminhada.
Rezamos o Pai Nosso, cantamos e fomos
embora.
Semana que vem tem
mais!!
Vera Roman Torres
Primeiro Dia da Páscoa de 2013
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