quarta-feira, 2 de abril de 2014

O Papa Francisco é uma nova esperança para a Igreja






Com o meu coração ainda agitado e pleno de alegria pego na caneta e tomo o lugar a escrivaninha para escrever esse artigo. Não devemos refletir coisas sérias tomadas simplesmente pelas emoções, mesmo se não nos deixamos levar somente por elas é impossível não demonstrar os sentimentos, e confesso que os acontecimentos da ultima escolha do Papa me emocionaram e impressionaram positivamente.Durante todas as discussões a respeito do próximo Papa e do conclave sinceramente procurei não me expressar vendo que tudo era somente opinião e especulação qualquer um dos 115 cardeais poderia ser o novo Papa. Em todo caso seja no meu trabalho, no contato com as pessoas ou meus amigos perguntava quem sera o novo Papa? Sempre respondi categoricamente: “Não me interessa a cor, ou a nacionalidade do Papa ! Se sera eleito um latino-americano, um africano, ou um norte-americano. Desejo apenas que seja um homem do nosso tempo capaz de enfrentar os desafios atuais e dialogar com os seres humanos do nosso tempo com o carisma para ser um líder espiritual que saiba guiar a Igreja do século XXI.”

Ao mesmo tempo não posso esconder que fiquei entusiasmado quando se falava de Sean Patrick O’malley, o cardeal capuchinho de habito e sandálias que servia os pobres. Pela sua opção de vida, simplicidade, austeridade na pobreza, e por estar no meio do povo com disponibilidade e abertura seria belo um Papa que é irmão. Tinha ouvido uma pessoa falar do cardeal Jorge Mario Bergoglio, atualmente Papa Francisco, mas não conhecia nada do seu modo de ser e sobre o seu ministério, a unica informação que sabia é que era argentino.

Mas no momento em que o novo Papa apareceu na sacada de São Pedro não negar que foi impactante uma simplicidade desarmante. Em primeiro lugar por ter renunciado a usar todos os paramentos que se esperava do Papa e aparecer modestamente vestido de branco, e usando a mesma cruz com a qual chegou a Roma, são pequenos particulares que poderiam não dizer nada, mas sabendo sobre o seu modo de viver simples e despojado, esses pequenos símbolos de despojamento já comunicam uma profunda mensagem. A outra mensagem é o próprio nome de Francisco, que ainda não tinha sido escolhido por nenhum outro Pontífice a escolha do nome quer comunicar uma mensagem, escolheu Francisco em homenagem a Francisco de Assis, um dos santos católicos mais abertos ao dialogo conhecido e admirado em todas as religiões e culturas e respeitado até mesmo por aqueles que não creem. Francisco de Assis atravessa os muros do catolicismo e comunica a mensagem de paz, amor, e fraternidade entre todos os seres humanos, principalmente com os mais pobres e não somente entre os seres humanos irmanados mas com toda a a criação, a fraternidade universal. A escolha desse nome comunica um programa de vida e uma forte proposta de pontificado sem sombra de duvida. Outro gesto importante é o modo como se apresentou Ele disse: “ Irmãos e irmãs, boa noite !” um Papa que se coloca não acima do seu povo, mas como irmão com todos os católicos. No seu pequeno discurso falou duas vezes de fraternidade. O fato de quebrar o protocolo optando por fazer as coisas em modo muito mais simples e normal sem todas as pompas diz muito do seu modo de ser.

No discurso pronunciado não falou de si mesmo nenhuma vez como o Papa, mas sublinhou o seu ministério como o Bispo de Roma, evocando todo o significado teológico da Igreja de Roma e carga simbólica do Bispo de Roma. Destaco um pequeno trecho do seu discurso:

“ E agora iniciamos este caminho. Bispo e povo ... este caminho da Igreja de Roma que é aquela que preside todas as Igrejas na caridade. Um caminho de fraternidade, de amor e de confiança entre nós. Rezemos sempre uns elos outros. Rezemos por todo o mundo, para que haja uma grande fraternidade. Espero que este caminho da Igreja, que hoje começamos e no qual me ajudara o meu cardeal Vigário, aqui presente, seja frutuoso para a evangelização dessa bela cidade.”[1]

Foi interessante sublinhar o papel da Igreja de Roma a presidir as outras Igrejas na caridade me fez recordar a teologia patrística e os Padres da Igreja com essa expressão, além de mostrar muito mais uma posição de colegialidade e comunhão que um Pontificado centralizador como nos dois precedentes pontificados, onde todas as decisões eram tomadas a partir de Roma tirando a autonomia das igrejas particulares. A ideia de fazer um caminho juntos é interessante o que mostra que estará escutara escutando e dialogando muito mais que decidir as coisas horizontalmente.

Não tenho duvida que muitos católicos em todos os continentes que acreditam na reforma da Igreja para que ela possa corresponder a sua missão de caminhar junto com a humanidade, não acima, nem as margens, mas junto com a humanidade respondendo aos desafios dos tempos. Tantos que sonham com uma Igreja radicada extremamente no Evangelho, que esteja preocupada em servir a humanidade testemunhando vivamente os valores do Evangelho, não somente com belos discursos, mas com uma pratica de vida, que a sua hierarquia não se reduza ao papel hierarquia distante do povo, mas que os bispos sejam verdadeiramente pastores que caminho em meio ao seu povo de Deus, com esse compromisso de viver como irmãos, a Igreja como um todo possa ser missionaria em movimento, em caminho construindo o Reino de Deus, e sendo fiel a Jesus Cristo e o que Ele ensinou: o amor ao próximo.

Que a Igreja, o povo de Deus possa sair pelas estradas a anunciar e saia da sacristia, da posição defensiva em relação ao mundo terminando ou diminuindo a mentalidade curial, legalista, e juridicista Esperamos um Papa que seja um irmão de todos como o nome de Francisco sugere, que presida uma Igreja que se identifique não com o triunfalismo, a defesa institucional e de privilégios, mas que seja de um rosto humano e solidário com o ser humano do nosso tempo que caminhe pelas estradas como irmãos de todos principalmente dos pobres.

Temos a esperança de um Papa que tenha a coragem a sabedoria de fazer a reforma da Curia Romana que reduza todas as pompas, e a mentalidade da corte dos príncipes do passado, que converta a estrutura em menos burocrática e mais evangélica e que ajude a instaurar em toda a Igreja relações mais fraternas, solidarias e baseadas na simplicidade evangélica.

Precisamos de uma Igreja menos hierarquizada e mais fraterna que precisa ser purificada e edificada para que possa atingir a sua missão evangélica A esposa de Cristo tem que ter a coragem de assumir o compromisso com o Cristo Esposo Crucificado, senão assumir radicalmente essa identificação com o Cristo Crucificado poderemos ser tudo até mesmo uma ONG piedosa, mas não a Esposa de Cristo, como disse o Papa Francisco ontem na missa na capela Sistina.

Acredito do mesmo modo que tantos irmãos e irmãs pelo mundo inteiro que estamos diante de um novo tempo, e esse pontificado apresenta uma nova esperança para a Igreja Católica. Transcrevo um comentário do teólogo franciscano Leonardo Boff no Twitter “ O Papa Francisco é uma promessa. Primeiro o nome S. Francisco recebeu de Cristo pedido de reconstruir a Igreja. Francisco é um irmão universal.” , e concordo com Boff no sentido que o novo Papa é uma promessa de renovação, de conversação, de volta ao ideal evangélico, de simplicidade e acrisolamento das estruturas e uma purificação do modo de ser da Igreja de Roma. Continuo rezando para que o Espirito Santo auxilie o Pontífice na sua missão e que possa cumprir dignamente a renovação estrutural e espiritual a qual acreditamos que foi chamado. Amém

Frei Emerson Aparecido Rodrigues, OFMcap. Nascido em Santo Anastácio interior de São Paulo. Estudou Teologia Espiritual com aprofundamento em Franciscanismo. dedica- se a pastoral, a oração e o estudo dos valores franciscano-capuchinhos.

A presença da mulher na Igreja.


            O ideal seria não precisar existir um dia especial de luta para lembrar que coisas tão fundamentais deveriam ser realidades para todos e não um caminho ainda distante a ser percorrido. Sabemos que o dia internacional da mulher que comemoramos em  08 de março todos os anos,  mas que ser uma  festividade do calendário civil é um dia de luta pelos direitos da mulher que em vários setores da sociedade não recebe o devido valor como ser humano.
            Embora realizando as mesmas funções e competências dos homens, na maioria das vezes é tratada como inferior ou um profissional de segunda categoria fator discriminante visível nas condições de trabalho ou no salário.  Nos causa profunda tristeza e indignação que, com todo o progresso tecno-científico e recursos de nossa sociedade em muitos temas, a dignidade da mulher na sociedade ainda se encontra com notável atraso. Mas enquanto não conquistamos a meta desejada vamos sonhando e lutando, projetando as nossas expectativas em um futuro melhor,  e exigindo dos nossos lideres e dos nossos iguais uma mentalidade endereçada no sentido de possibilitar uma transformação efetiva da sociedade, para que os direitos e a dignidade de mulheres e homens sejam garantidos e respeitados, e assim, possamos viver a plenitude do projeto originário de Deus.
            Infelizmente, também na Igreja, mesmo se propondo a viver segundo a ótica evangélica muito deve ser construído e fortalecido. A Igreja caminha  com a sociedade e reflete muitas vezes valores da mesma. Assim, como na sociedade existem alguns setores que assimilaram a importância do papel exercido pelas mulheres, outros ainda não aprenderam a reconhecer e valorizar devidamente, e na Igreja acontece de modo semelhante.
            Recentemente, o Papa Francisco dedicando algumas palavras sobre a importância da mulher na Igreja, e reconhecendo o seu protagonismo de fundamental importância, ressaltou que não se trata de clericalizar as mulheres para poder valorizá-las devidamente, mas de criar instrumentos que reconhecessem essa importância real e significativa na obra evangelizadora e na missão da Igreja no mundo.
            De nossa parte, devemos reconhecer que uma estrutura machista e patriarcal é predominante, visto que o centro da decisão parte sempre de homens pertencentes ao clero. Intimados a resgatar o espírito primigênio que move nossas comunidades, colocando no centro a Palavra de Deus inspirados primeiramente em Jesus e sua solidariedade para com as mulheres, e na pratica das primeiras comunidades. Colocamos como uma  exemplar elucidação, a Carta aos Gálatas que ilumina a pratica da comunidade, recordando que homens e mulheres sãos novas criaturas  regenerados em Cristo, consequência pratica do batismo, pois através dele todos somos novas criaturas em Cristo e com a dignidade recebida todas as diferenças são eliminadas. Homens e mulheres, recriados e resgatados são agora o sacramento da nova criação e instrumentos da restauração do projeto originário de Deus.
            A Igreja como portadora da mensagem que resgata a nova humanidade restaurada em Cristo, deve  comunicar ao mundo essa verdade fundamental sempre nova,  e apresentar a construção dessa nova humanidade que se espelha no Filho de Deus, e gerada Nele  através do seu testemunho concreto e da sua prática do amor que se inicia dentro da própria comunidade de fé.
            Cabe a cada um de nós, homem ou mulher fortalecer  a ação da nossa comunidade e reconhecer a importância das nossas irmãs, de modo que a sua presença, ação e ministério, sejam reconhecidos e devidamente valorizados. A vertente da igualdade em Cristo  entre homens e mulheres perante Deus e a comunidade, é um tema urgente que deve ser retomado na sua centralidade.
            Olhando superficialmente percebemos que os componentes das várias pastorais, movimentos e grupos paroquiais são seres humanos do sexo feminino.  O rosto da Igreja esposa de Cristo é feminino, se as mulheres pararem toda a comunidade para.
            Por isso, minhas irmãs impelidas pelo Espírito, força criativa de Deus-Amor, continuemos animados e animadas pela esperança, renovando a nossa fé e testemunhando o amor na comunidade e no mundo, sempre atentas a  nossa dignidade de criatura nova.

Frei Emerson Aparecido Rodrigues

Fraternidade Capuchinha da Paroquia Santo Antonio de Cajati/SP

domingo, 14 de abril de 2013

Sem Pai


Sem Pai ...[1]
Queridos jovens, é com o coração nas mãos que escrevo a voces para contar um pequeno pedaçinho da minha história, não porque eu seja uma pessoa importante, mas para ser um testemunho daquele em que creio.
Me consagrei ao Senhor Deus e Ele me sustenta sempre nos momentos em que sou fraco  e quero deixar tudo, são nesses momentos que vejo  Ele se empoderar da mia vida e me reforçando, me renova ara que eu seja sempre disponivel a recomeçar. Eu sou o Frei Emerson, brasileiro e tenho 31 ano, sou um frade menor capuchinho que ha alguns anos me encontro na Italia.
As dificuldades  na familia.
Eu nasci numa familia que tinha algumas dificuldades como a maior parte das familias de hoje. Quando eu tinha 9 anos, os meus se divorciaram . Meu pai foi embora e a minha mãe permaneceu cuidando da familia com muito sacrificio. Eramos minha mãe, eu e uma irmãzinha que na época tinha  3 anos e a minha avó que se chamava Josefa, que depois que viuva se sentia sozinha e cansada.
Mia mãe procurava em todos os meios nos manter, não tendo títulos academicos, mas também não queria trabalhar de empregada domestica, e a única opção era trabalhar nos campos, mesmo se nesse tipo de trabalho braçal se trabalha muito e se ganha muito pouco.  Mesmo se a minha avó que era aposentada o dinheiro era pouco. Por isso, a idade de 9 anos comecei a procurar trabalho para ajudar a minha família. Então comecei a bater em tantas portas e recebi alguns não como resposta. Quando já tinha perdido as esperanças uma senhora que queria uma menina para ajudar na cozinha e cuidar do jardim me aceitou.  Naquele emprego ganhava pouco, mas tinha o que comer.
A minha avó cuidava da casa e da minha irmã e a minha mãe trabalhava fora o dia todo. Eu trabalha de manhã e estudava a tarde, as vezes nos finais de semana permanecia na casa em que trabalhava.
O fascínio por São Francisco.
O fascinio por São Francisco me entusiasmou a deixar o meu trabalho, na época secretário de uma escola de educação especial, para entrar no convento. Por quais motivos? Pela vida fraterna, pela simplicidade dos frades e sobretudo porque queria doar a minha vida aos pobres como São Francisco. Quando conheci os frades não tive dúvidas que era alí que Deus me queria.
Durante os anos da formação a vida religiosa, procurei com sinceridade de me fazer santo, mas tenho consciencia que tinha sempre muito para aperfeiçoar: não me sentia um verdadeiro filho de São Francisco. Me culpava de rezar pouco, de não ter uma vida espiritual intensa como achava que devia, de não me doar ao estudo o suficiente, e principalmente aos pobres, sentia que faltava tanta coisa.
Mesmo a questão da minha familia não era tranquila dentro de mim era um espinho. Não dizia nada a ninguém, quando alguem perguntava do meu pai, eu saia ou mudava de assunto, ou fazia alguma piadinha. Na realidade não conseguia aceitar a dor por ter sido abandonado, sentia a falta em todos os momentos importantes da minha vida,  eu sempre tinha que me virar sozinho, porque a sua presença não tinha. Me perguntava: Porque a mim? O que eu fiz para sofrer tanto assim? Tudo isso me causava um sentido de rebelião seja na relação com as pessoas, mas também em relação a Deus. Imaginem um frade capuchinho que briga até com Deus !
Em  busca do meu pai.
Os meus superiores me pediram para vir a Roma e aceitei com entusiasmo. Procurei fazer de tudo para aprender o novo idioma e o novo trabalho: ser porteiro num imenso convento chamado Colégio Internacional, onde vivem os frades capuchinhos do mundo inteiro que estudam nas universidades pontificias.
Enquanto estava na portaria e respondia o telefone e abria o portão tinham muito tempo disponivel seja para rezar, para meditar, para fazer leituras espirituais, como também para entrar dentro de mim mesmo.  E desse modo percebi os meus sentimentos mais profundos e os pensamentos escondidos dos quais antes eu não tinha plena consciencia talvez pelas atividades pastorais e a vida agitada.
E chegou o momento que tive que enfrentar o assunto familia e comecei a rezar  para ver as coisas de uma outra maneira pedindo a Deus de chegar onde eu não podia chegar. E o Senhor respondeu não do meu jeito, mas do jeito dele. Eu orei a Deus de voltar ao Brasil  e para procurar meu pai coisa que eu já tinha feito mas sem sucesso. O Senhor na sua misericórdia atendeu as minhas orações.
Através de amigos e conhecidos seguindo os conselhos e as dicas e confiando sobretudo na força da oração e fiquei sabendo que meu pai estava vivo e que se encontrava na cidadezinha Jauru. O meu coração estava angustiado e não tinha paz. Continuei a repetir: Enquanto eu não souber verdadeiramente se é ele não deixarei ninguém em paz.
Depois de dias de telefonemas e depois de incomodar as pessoas na Prefeitura, na Igreja e na Policia, uma pessoa  se disponibilizou a me ajudar e no mesmo dia eu sabia que meu pai estava vivo e se encontrava no asilo da cidade. Quando tive a certeza comecei a não dormir a noite. A solicitude paterna do Senhor se manifestou através da ternura do Reitor do Colégio, frei Isidor Peterhans, que me ajudou a preparar-me seja humanamente que espiritualmente para esse forte momento de encontro com meu pai.
Durante as férias de Páscoa voltei ao Brasil e permaneci ali com pai durante a Semana Santa. Pra mim foi o mais bonito presente que o Senhor me deu, uma verdadeira e propria Ressurreição ! Todo o sofrimento desses anos, todas as dificuldades e as rebeliões foram curadas. Assim eu pude abraçar o meu pai que por mais de 21 anos não sabia noticias dele, nem mesmo se estava vivo.


Com o coração agradecido.
Por essa   maravilha que o Senhor fez por mim sou agradecido e sempre serei! O motivo pelo qual compartilhei esse epsodio da minha vida não é aquele de colocar em evidencia a minha pessoa, mas fiz para celebrar Deus que me chamou a segui-lo, me sinto apaixonado por Ele, porque Ele me cuida , me cura,  me consola, e ama sempre. Tudo aquilo que possa fazer por Ele não é nada  se comparado ao amor que o Senhor tem para cada um dos seus filhos. Por isso, com a minha vida e a minha vocação quer entoar um canto de louvor e de reconhecimento ao Senhor. Que o Senhor vos abençoe e vos atraia para Ele para gozar do seu amor e da sua bondade que são sem limites.

Frei Emerson Aparecido Rodrigues, OFMcap.



[1] Esse artigo é a tradução em lingua portuguesa do texto publicado em italiano  na revista de animação juvenil e vocacional da Provincia Veneta dos Capuchinhos.  Fra Emerson Rodrigues, Senza Padre, in  Via Libera 2 (2012),p. 26-28.

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Na boca das mulheres, o Evangelho faz caminho ...




Somos em 15 mulheres que se reúnem semanalmente para o estudo e reflexão da Bíblia e conversar, o qual chamamos de Circulo de Biblia do Stella Maris.  Grupo que está junto há mais de 10 anos, sob a orientação da Irmã Liz, hoje afastada. Às vezes, mais conversamos do que estudamos. Nossa reflexão passa e se fortalece na Palavra de Deus, porque tudo que tem ali tem na vida. Nessa reunião não existe o professor nem o aluno. Somos avós, mães, esposas, donas de casa, agentes de pastoral, enfim mulheres comuns, mas, diferentemente das mulheres da Bíblia, temos nome: Marta, Dita, Dirce, Madalena, Rose, Thereza, Selma, Celita, Maria do Carmo, Vera, Heloisa, Marialva, Rosangela, Amália, Neuza, Narcisa.
Engraçado como a palavra de Deus vai fazendo caminho dentro da gente e até onde ela vai nem sequer desconfiamos. Deixamos ela seguir livremente o caminho como um rio, às vezes encontrando obstáculos nas beiradas, às vezes seguindo bem depressinha, porque as águas estão límpidas, às vezes tornando-se turva porque está bem no raso, mas o mais importante é que ela não pára.
Tivemos uma experiência muito enriquecedora no nosso primeiro encontro do Circulo, com as mulheres que partilham a Palavra de Deus e, principalmente, a vida! A Palavra sem vida não é Palavra, e a vida sem a Palavra não é vida! Às vezes ponho-me a refletir de que sabemos mais umas das outras do que dos nossos parentes. E nos preocupamos umas com as outras e nos alegramos igualmente quando alguma delas depois de um bom tempo, reaparece. Coisas de Deus!
Estávamos meditando no Evangelho de Marcos,  o primeiro capítulo, nos versos de 1 a 13, que trata do Anúncio da Boa Nova de Deus. Depois de cantarmos alegremente, (e como adoramos cantar!),  pusemo-nos a meditar o texto: descobrir a palavra de Deus na vida. E como diz Carlos Mesters, “é aqui que se coloca o sal na comida”. Então, depois de ler em conjunto, paramos e meditamos um bom tempo, ruminando a palavra que acabamos de proclamar, transportando-a para nossa vida em família, na comunidade, no grupo, na pastoral, etc.
Nessa perícope a comunidade de Marcos, vai afirmar que assim como aconteceu com Jesus, onde  “a Boa Nova de Deus revelada por Jesus não caiu do céu, mas veio de longe, pelo chão da vida, através da história, e que essa Boa Nova teve um precursor, ou seja alguém que preparou a chegada de Jesus”, a nós também em pleno 2013, essa palavra nos chega através de pessoas que com sua história e através de acontecimentos, nos mostram e indicam um caminho que leva até Jesus.
Refletimos que a nossa vida não pode passar em branco, porque seremos julgadas pela quantidade de amor que tivermos dispensado aos nossos irmãos e irmãs. Por isso a Palavra tem que fazer um percurso na nossa vida para termos uma história.
Daí que quando passamos para o ítem  “despertar o ouvido para escutar”, nos deparamos com um questionamento: “Qual a missão que Jesus descobriu para si mesmo na hora do batismo e o que tudo isso ensina para nós hoje?” Vieram  respostas tão ricas, e tão bem fundamentadas, nascidas no miudinho da vida de cada uma, que ficamos muito tempo ouvindo .... ouvindo ..... Também de uma singeleza e de uma simplicidade que se tornaram palavras proféticas saindo da boca de mulheres.
Pronto! Agora “a comida ficou pronta!”.  Relembramos, que tal como Jesus foi enviado ao deserto, também nós estamos passando através da santa quaresma, por um tempo de deserto = purificação. Tempo em que há um clima todo especial, que nos envolve e nos faz avaliar a vida e a buscar a conversão diariamente, esperando que mesmo ao seu término, nosso exercício diário continue.
Indo mais prá frente, meditamos nessa perícope que o ensinamento, alicerçado na descoberta da missão na hora do batismo com Jesus inserido na comunidade, é o servo que pratica a justiça e a solidariedade e passa a propagar e executar o projeto do Reino de Deus,  E nós, igualmente,  no dia do nosso batismo, também ouvimos “Tu és o meu Filho amado, em ti me comprazo” (Mc 1,11).
Recebemos, nesse momento, cada uma de nós uma torrente de amor que brotaram dessas palavras e fomos inseridas numa comunidade de fé.  E a nossa missão não é diferente, não! Continuar a missão é o que se espera de cada uma! A nossa missão tem que obrigatoriamente passar pela missão de Jesus. Não existe outro caminho disponível, nem um atalho para que possamos desviar.
Com essa partilha terminamos a reunião, nos perguntando: “o que o texto nos faz dizer a Deus?”
Então, louvamos, cantamos e, principalmente, nos comprometemos com a prática do Evangelho, pedindo forças para não esmorecer na caminhada.
Rezamos o Pai Nosso, cantamos e fomos embora.
Semana que vem tem mais!!
                                                                                           
 Vera Roman Torres
Primeiro Dia da Páscoa de 2013