sábado, 12 de janeiro de 2008

PROJETO DE DEUS, UM SONHO REAL

NO PRINCÍPIO DEUS TEVE UM SONHO DE AMOR SEM MEDIDA,

O UNIVERSO CRIOU: céu, terra e as criaturas.

CRIOU HOMEM E MULHER, A MISSÃO DE AMAR A ELES CONFIOU.

A TERRA FORMOU, A VIDA ESPALHOU, O SONHO SE CONCRETIZOU.

MAS O HOMEM, DESTE COMPROMISSO DE AMAR, ESQUECEU.

DISTANCIOU-SE DE DEUS, DO OUTRO E DO AMOR.

CONTRA A VIDA, QUE ERA CHAMADO A SER, SE VOLTOU.

AOS OUTROS NÃO SE DOOU SÓ EM SI MESMO PENSOU,

O SONHO DE DEUS RECUSOU.

DEUS NOVAMENTE INSISTIU AO PROJETO ORIGINAL, VOLTOU.

E CHAMANDO SEUS PROFETAS O SONHO ANUNCIOU.

ELES FALARAM, MAS NINGUÉM OS ESCUTOU.

INSISTINDO NO SONHO SEU FILHO JESUS, DEUS ENVIOU.

QUE ACENDEU A CHAMA ENTRE OS HOMENS E O AMOR BRILHOU.

MESMO ASSIM MUITOS HOMENS DISTANTES, CONTINUARAM A SER..

POR OUTRAS ESTRADAS ERRANTES, A CAMINHAR.

OS CORAÇÕS AO SONHO E AO AMOR FECHADOS, NOS FIZERAM SOFRER.

TORNANDO DIFICIL, A VIDA A LUTA E O SONHO ACONTECER.

JESUS FOI PARA O PAI, MAS A ESPERANÇA AINDA NÃO MORREU.

E HOJE JOVENS, OLHANDO A VIDA, EXEMPLO QUE NOS DEIXOU.

SONHANDO O SONHO QUE É POSSIVEL SE REALIZAR.

COM A GRAÇA, COM JEITO, COM AMOR, COMPROMISSO.

A FRATERNIDADE CRIAR.

REBELDE É AQUELE QUE PROPÕE E FAZ A VIDA ACONTECER,

VAMOS SER REBELDES, CONSTRUINDO PRA VALER.

UMA SOCIEDADE COM JUSTIÇA, É O QUE QUEREMOS VER.

FAZENDO A VIDA PLENA QUE DEUS QUIS ESTABELECER.

NÃO ADIANTA VIVER SÓ DE SONHOS, O IMPORTANTE É FAZER.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

O Natal vivido por Francisco e Clara de Assis.




Encontramos nas fontes franciscanas em Tomas de Celano na sua primeira vida de São Francisco, no capitulo 30, nos números: 84,85,86 e 87[1]nos narra sobre o acontecimento do Natal de Greccio. Fato esse que ficou conhecido até hoje, muitos falam da primeira pessoa que teve a inspiração de preparar um presépio. Porém, mas do que o fato de ser Francisco de Assis o primeiro a montar um presépio vivo é interessante entender a sua motivação para fazê-lo.
Penso que este texto nos ajuda a resgatar o jeito franciscano de celebrar não somente o Natal, mas o mistério de Deus cada dia da nossa vida. Primeiro o texto nos deixa claro a motivação de Francisco, vivenciar o Evangelho, a vida de Cristo, se esforçava porque a sua maior aspiração era essa. Ele procurava a cada minuto da sua vida estar unido, vivenciando com Jesus a sua vida, a sua paixão, e a sua encarnação, com essa motivação de por tudo e em tudo seguir os “passos de Nosso Senhor Jesus Cristo no seguimento de sua doutrina”[2].
Nesse seu desejo de estar sempre unido ao Cristo e algum modo próximo do que Ele viveu, o pobre de Assis, manda o seu amigo João preparar, fazer as preparações para celebrar o Natal do Senhor. Hoje os nossos presépios são bonitos, com luzes e tantos adornos. Nossa Senhora parece uma rainha, descaracterizada do seu jeito próprio de ser, o menino Jesus quase some no meio dos enfeites sem falar nos outros detalhes. Mas na verdade mascaramos Deus, enfeitamos Deus e tentamos torná-lo a nossa imagem e semelhança. Diferente de Francisco, que quer estar proximo da fragilidade e da pobreza que Deus Encarnado experimentou a falta até do necessário. O amor nasceu, o Verbo de Deus vem nos encontrar assim , como um menino pobre, na mais completa pobreza de um estábulo, em meio aos animais. A pobreza e a simplicidade de Deus nos agride porque não somos capazes de ser transparentes como Ele. Por isso, tentamos adorná-lo com a desculpa que è porque Deus merece. Porém na verdade é para esconder nosso medo de assumir pobreza criatural nossa. Francisco ao invés para se assemelhar e aproximar de Jesus o faz.
Francisco fez com que: “Grécio tornou-se uma nova Belém, honrando a simplicidade, louvando a pobreza e recomendando a humildade.”[3]
Quando colocamos Deus na nossa vida como Ele realmente è as coisas mais simples se tornam importantes, se assumimos a nossa pobreza criatural, e a nossa pequenes. Podemos fazer do nosso dia a dia e os momentos mais corriqueiros da nossa vidase tornarem ponto de encontro com o mistério de Deus. A solenidade está no valor que damos as coisas. Belém pode acontecer na nossa vida todos os dias quando nos abrimos ao acolhimento de Deus menino, do Verbo encarnado em todas as dimensões da nossa vida. Cada momento pode se tornar um momento da Encarnação. O menino Jesus, o “Rei pobre” vem a nos todos os dias silenciosamente.
Outro dado “A noite ficou iluminada como o dia”[4], quando capitamos o mistério de Deus na nossa vida tudo se ilumina, nós nos iluminamos e irradiamos luz por onde passamos, se contemplamos a graça de Deus, não tem como o nosso semblante não ser iluminado e não fazer notar essa luz e alegria.
A visão do menino Jesus, tão pequeno, tão simples e tão frágil. Deus se apresenta como um menino. Nessa simplicidade nos ensina como devemos fazer para sermos seres humanos melhores, pessoas que se envolvem no mistério de Deus. Se apresentando como um menino Deus nos coloca em xeque mate e cai por terra todas as nossas aspirações, de fama, prestigio, cargos, titulos e poder.Os fioretti, ou como traduzimos em portugues “ as florzinhas” de São Francisco no seu capitulo 35, fala que Santa Clara estando muito doente e não podendo ir a Igreja de São Francisco com as outras Irmãs, recebeu a graça de Cristo e foi transportada para a Igreja onde recebeu a comunhão e participou da solenidade. Quando as Irmãs vem contar o que aconteceu na Igreja, santa Clara diz: “ Eu presto graças e louvores a nosso Senhor Jesus Cristo bendito, minhas irmãs e filhas queridas, pois estive presente a toda a solenidade desta noite, até maior da que vós tivestes, com muita consolação da minha alma.”[5] Devido ao fato dessa visão em 1958 o Papa Pio, XII a declarou "celeste padroeira da TV”. Mas Clara em um das suas cartas a Santa Ines, fala sobre o espelho que Jesus Cristo e aconselha Ines a observar esse espelho e descreve o espelho em três partes da qual a primeira o principio do espelho ela faz notar “a póbreza daquele que, envolto em panos, foi posto no presépio! Admirável humildade, estupenda pobreza! O Rei dos anjos repousa numa manjedoura.”[6]
Por esses fatos da vida desses dois grandes santos nós podemos perceber o seu esforço em viver uma vida com Jesus na sua globalidade. Cada momento ´uma oportunidade para estar com Jesus, para vivenciá-lo e testemunhá-lo. Para os dois viverJesus Cristo na globalidade da sua vida è um projeto um caminho a construir, que tem seu ponto de partida no nascimento na contemplação e vivencia do mistéio da Encarnação. Oremos ao Senhor para que possamos como Francisco e Clara quando montamos nosso presépio aprofundarmos nosso desejo de viver imerso no mistério do Senhor, que nossa motivação seja segui-lo onde quer que Ele vá. Feliz Natal!





[1] Não citarei as pagina, pois uso a versão do site de internet http://www.procasp.org.br/, tradução feita por Frei José Carlos Correia Pedroso.
[2] N.84, v1.
[3] N.85,v5.
[4] N.85,v.6.
[5] I Fioretti cap.35.
[6] 4CtIn 19-23.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Uma vida consagrada.


O tema sobre o qual quero tratar aqui brevemente é profundo mas tantos outros já trataram, porém quero fazer um aceno somente para não deixar de falar visto que parece muito importante pelo menos falar sobre ele nos nossos dias.
A consagração religiosa, num tempo em que se fala de secularismo, hedonismo e tantos outros ismos. Penso que é necessário afirmar a minha crença, reafirmar a minha opção da vida religiosa como caminho viavel e possivel para a construção do Reino de Deus. Mesmo com tantas pessoas ao meu redor dizendo não entendo porque um jovem como voce com toda a possibilidade de vida decide ir para um convento. E perguntam voce esta fugindo do mundo. O que aconteceu esta desiludido com a vida. Eu respondo voces ainda estão nessa
Porque para as pessoas não é tão simples compreender porque um jovem decidiu fazer-se religioso. Muitas vezes somos considerados pessoas que somente rezam ou é uma coisa muito bonita para o filho da vizinha e as mães até rezam pela vocação dos filhos dos outros.
Porque então decidi me consagrar para viver com Jesus e optar pela vida que Ele optou de um profundo contato com Deus pela oração, de estudo para poder compreender melhor o mundo, a vida, as pessoas, os problemas, os desafios. Uma vida de trabalho, junto com o povo de Deus.
Uma vida dedicação aos pobres, como consequencia da vida que escolhi.
Mas acima de tudo uma vida consagrada. Porque para estudar, trabalhar, rezar não precisa ser religioso, consagrado ou consagrada.
Mas a diferença é procuramos consagrar-nos totalmente a Ele, nas pessoas que precisam...
Ofertamos o nosso amor atraves a castidade, que mais do que não fazer sexo é uma amor universal a todas as pessoas, mas localizado se doando e amando principalmente os mais ncessitados de amor, não um amor excludente, mas um amor preferencial. Por amor de Deus amamos os nossos irmãos, ainda que não atingimos a perfeição da caridade, mas nos esforçamos cada dia.
O despojamento, mais do que pobreza material, estar disponivel, ouvir, se doar, se aproximar, abrir as pessoas, abrir mão dos nosso poucos caprichos pessoais para servir, para ser sinal do Reino.
Obedecer atraves dos superiores, mas não somente, porque cumprir ordens é facil, mas saber ouvir o que Deus quer de nós, onde está o seu projeto, e a sua vontade.
Uma consagração devota do nosso coração que nos leve a seguir Jesus onde quer que Ele vá.
Mais do que endossar uma veste religiosa, um hábito. O nosso coração deve estar consagrado portando esse amor que gera e defende a vida. Chama que deve ser alimentada a cada dia. Devemos esse brilho nos olhos cada dia nem sempre fácil, nos somos portadores não de nós mesmos e de nossa mensagem, mas do grande amor que Deus tem pela humanidade e o seu plano de Salvação que não exclui nenhuma criatura.
Ser consagrado significa amar com esse amor, ser presença desse amor. A Beata Teresa de Calcutá diz uma coisa simples mas importante: Deus continua amando o mundo atraves de voce e de mim. Isso é verdade os pequenos gestos de amor ainda que insignificantes devem ser expressão do amor de Deus.
Nos consagrados e consagradas devemos ser esse rosto de Deus que ama a humanidade. Por nos mesmos não somos capazes e sabemos que não é facil, mas esse é o nosso chamado, o que nós fazemos todos podem fazer, a diferença está no amor, e pelo amor de quem o fazemos.

A força profética da Paz não cala.



A paz sempre foi almejada por todos os povos. Durante a história da humanidade temos uma infinidade de tentativas de estabelecer a paz, de manter a ordem, mas tendo como parâmetro a guerra, a dominação e subserviência dos outros povos.

Essa tentativa está expressa no pensamento grego em Heráclito com a sentença: “A guerra é a origem de tudo”. Os romanos, com o famoso dizer: “Se queres paz, prepara-te para a guerra, é a pax romana”. Estudando a história de Israel e todo o seu desfeixo vemos nitidamente como esse antagonismo está presente, ao mesmo tempo: um grande anseio pela paz construído pela força da guerra.

Voltando o olhar para nossos antepassados constatamos que a guerra não constroe paz, ao contrario traz violência, miséria e injustiça. Quando a paz é ameaçada a imagem e semelhança de Deus é violada nos homens, nas mulheres e nas crianças.

O que acontecia no passado continua acontecendo, o ser humano é ameaçado e as esperanças de construir a paz, se esfacelam. Os paises africanos em guerras fratricidas, os E.U.A impondo a “pax americana” ao mundo. A ordem mundial é ameaçada.

Neste contexto que se apresenta caótico. Os cristãos são chamados, convocados a ser profetas da paz. Seguindo de perto o exemplo de seu mestre: Jesus Cristo, o Príncipe da Paz. De fato, com o anuncio do seu nascimento os anjos cantam: “ Glória a Deus nos altos céus e paz na terra aos homens por ele amados”[1] Ele diz aos seus discípulos, cristãos e cristãs de todos os tempos: “Deixo-vos a paz, dou-vos a minha paz; não vo-la dou como a dá o mundo”[2] O Ressuscitado da a sua paz e envia seus discípulos para proclamar a paz: “ A paz esteja com vocês”[3]

A prática e o discurso de Jesus é uma constante ação de construção da paz. No sermão da montanha, no trecho das bem aventuranças, no Evangelho de Mateus, Jesus ensina: “Felizes os que promovem a paz porque serão chamados filhos de Deus”[4] Seu mestre os ensina a “oferecer a outra face”[5]. Não simplesmente dar o outro lado do rosto para bater, mas mostrar o outro lado da situação, em meio às guerras, testemunhar a paz. Quando são enviados em missão ao chegar, o primeiro passo é saudar desejando a paz[6].

Na Idade Média, outro homem Francisco de Assis consagrando sua vida a seguir o Evangelho de Jesus Cristo se torna testemunho de paz. Celano ao descrevê-lo, escreve : “ Como era bonito, atraente e de aspecto glorioso na inocência de sua vida, na simplicidade da palavras, na pureza de coração, no amor a Deus, na caridade fraterna, na obediência ardorosa, no trato afetivo e no aspecto angelical...”[7] O retrato de Francisco é desenhado como uma pessoa que a sua presença transmite paz. Todas as vezes que iniciava a pregação desejava a paz[8]. Como um soldado de Cristo percorre as cidades anunciando a paz[9]. Em I Fioretti, Francisco pacifica um leproso impaciente que agride os frades e ao se submeter ao leproso e lavá-lo, pedindo que ele permaneça na paz o leproso é curado.[10] Em Arezzo, quando a cidade estava em guerra interna restabelece a paz por meio de Frei Silvestre que é seu porta voz[11]. Em Assis, quando o bispo e o podestá de Assis estavam em grande contenda. Compõe o Cântico do Frei Sol, convoca seus irmãos e na presença dos cidadãos reunidos os frades cantam tocando os corações do bispo e do podestá que se reconciliam e a paz volta a reinar[12]. Em Gubbio, um lobo causa terror na cidade, Francisco encontra nele um irmão e estabelece a paz entre ele e os homens[13]. Quando Frei Masseo e Francisco chegam a Siena os habitantes estão em guerra e após uma pregação a paz é restabelecida.[14] Francisco como os cruzados parte em missão entre os muçulmanos, mas diferente dos cruzados seu objetivo é outro. Encontra-se com o Sultão em Damieta, os dois conversam em paz[15]. A sua prática é pacifica mais por exemplo que por palavra, ainda sim, exorta seus irmãos a serem pacíficos “ São verdadeiramente pacíficos os que , no meio de tudo quanto padecem neste mundo, se conservam em paz interior e exteriormente, por amor de Nosso Senhor Jesus Cristo”[16]

Em 1963, o mesmo que dizia: “ O mundo inteiro é minha família” Preocupado com a ordem mundial e com os caminhos que o mundo estava tomando, o Papa da Paz, como ficou conhecido João XXIII, lança a Encíclica “Pacem in Terris” ( A paz na terra). Na introdução da encíclica escreve: “A paz na terra, anseio profundo de todos os homens de todos os tempos, não se pode estabelecer nem consolidar senão no pleno respeito da ordem instituída por Deus”[17] e no desenvolver enfatiza a grandeza e majestade de Deus que tudo criou maravilhosamente e a dignidade do ser humano feito a sua imagem e semelhança. Recordando ainda, a perfeita harmonia que existe no mundo criado, ao que chama “ordem natural”. Essa ordem criada por Deus que faz funcionar tudo de forma perfeita essa “lei“ que indica como deve ser a convivência da comunidade humana .

E para que essa harmonia continue é preciso primar pela dignidade do ser humano fazendo com que de fato tenha seus direitos respeitados: o direito a existência e um padrão de vida digno, e ao cultivo de seus valores culturais e morais, também de honrar Deus segundo a sua consciência, escolher seu estado de vida com liberdade. Ter seus direitos respeitados no campo sócio-politico-economico dentro da comunidade humana.

As comunidades políticas, o poder público deve colaborar para que esses direitos aconteçam em harmonia orientando tudo para o bem comum. O Santo Padre, exorta todos os cristãos a luz dos sinais dos tempos e participando na vida pública contribuir para que a paz aconteça. Dessa maneira influindo no desarmamento, nas relações com adeptos de outras religiões construir espaços de solidariedade e fraternidade.

Essa paz proposta por João XXIII não é descomprometida, mas é um resgate e uma atualização da paz evangélica, profética que propõe uma transformação dos ambientes ressequidos pela violência a partir de uma paz que está na ordem da natureza instituída por Deus e do coração do ser humano. Mas não é somente um estado de espírito, ou uma paz intimista esta fundada na verdade, na liberdade e justiça. Para construir a paz sem fundamento na verdade e na justiça é preciso criar guerras e pretextos para mais guerra. Precisamos estar sempre atentos! Pio XII nos alerta quando diz: “Nada se perde com a paz; mas tudo se pode destruir com a guerra”[18]

Esses são apenas alguns ecos da paz profética que não cala. Uma paz que propõe acabar com a violência do ser humano, mas parte do interior dos corações e por isso, tem condições de romper com as estruturas de violência. Não é simplesmente uma paz espiritualista ou intimista como propõe alguns grupos. Mas é espiritual porque está no profundo do espírito humano, transformadora e profética.


[1] Lc 2,14

[2] Jo 14,27

[3] Jo20,19.

[4] Mt5,9

[5] Mt5,39

[6] cf Mt10,12-14 e Lc10,5-7

[7] I Cel 83 pp.237-238.

[8] cf. I Cel 23 p.195

[9] cf. I Cel 36 pp.204-205

[10] Fior 25 pp.1130-1132

[11] cf 2 Cel 108.pp. 364-365.

[12] Legenda Perusina 44 pp. 776-777.

[13] cf Fior 21 pp.1122-1125

[14] cf Fior 11 pp.1101-1103.

[15] cf LM II 3 pp.626-627.

[16] Adm 15,2pp.66

[17] Pacem in Terris p.3

[18] Nuntius radiophonicuus, datus die XXIV mensis Augusti anno 1939, A.A.s XXXI,1939p.334.

A era da comunicação é um desafio a Vida Religiosa?[1]


A Vida Religiosa durante toda a sua trajetória soube dar respostas, sendo sinal de progresso humano e tendo atitudes revolucionárias no contexto sóciopolítico[2]. Pensemos nos Monges do Deserto que questionavam com sua vida toda uma estrutura social e as formas pelas quais a Igreja se submetia a ela. As Ordens mendicantes e a nova proposta que apresentam, o protagonismo dos religiosos ligados às universidades e as congregações modernas que supriram várias carências pelas quais o governo estava em déficit. Sem falar nos inventos e descobertas feitos por monges, as engenhosas máquinas que facilitavam a vida, as descobertas científicas e muitas outras. Lembro Roger Bacon, frade franciscano que no seu tempo já havia constatado que as lentes de vidro serviam para correção de deficiências visuais.

Num passado não muito distante e ainda agora subsistem, em algumas cidades do interior, as figuras do padre ou da religiosa que são tidos como autoridades, como alguém que tem mais conhecimento, que pode contribuir não somente no campo religioso, mas também prestar ajuda em outras questões do cotidiano do povo. A Vida Religiosa sempre marcou e deve marcar presença e influir no mundo com os valores que tem a oferecer.

Importa-nos hoje perguntar e responder qual o rosto que a Vida Religiosa apresenta ao mundo? Estamos no século XXI temos que admitir e tomar consciência de todas as transformações que sofremos. As informações nos chegam com uma velocidade incrível, e às vezes, não conseguimos assimilá-las. Muitas vezes não conseguimos perceber as transformações[3]. Ficamos enclausurados em nossas categorias clássicas sem digerir o novo. A mudança de época está acontecendo! Os desafios são plurais. As altas tecnologias que influem na vida dos seres, tudo isso pede que repensemos a antropologia[4]. No processo de globalização[5] que nos envolve, já não estamos ilhados, mas envolvidos em uma “aldeia global”[6]. O mundo inteiro está interligado por uma teia de relações complexas[7]. A trama é tecida a cada dia. A Internet se impõe como um poderoso meio de comunicação[8]. São várias as vozes que gritam ao mesmo tempo, numa miscelânea com freqüência confusa. Uma diversidade de espiritualidades se apresentam ao ser humano. Há uma variedade grande de experiências religiosas que são oferecidas ao fiel como um pacote para que ele consuma. Muitas posturas éticas estão a se oferecer. A ética consumista, por exemplo, é só uma delas. O mercado convoca todos a ser pelo que consomem. Um hedonismo exacerbado invade os meios de comunicação.

Tendo em mente um pouco desse panorama, como ouvir e comunicar a voz do Bom Pastor? Qual a mensagem profética que nós religiosos comunicamos ao mundo? Talvez nossa resposta não seja satisfatória? Quando decoramos as respostas, as perguntas já mudaram e não percebermos. Será que não estamos correndo o sério risco de perder o bonde da história?

Os outros apresentam a mentira com uma persuasão como se fosse a verdade, e nos comunicamos a verdade sem nenhuma eloqüência de maneira a parecer mentira.

Muitas vezes o rosto apresentado da Vida Religiosa, ou mesmo da Boa nova não é tão entusiasta como a Irmã Mary Clarence, personagem de Woopi Goldberg, no filme, Sister Act (Mudança de hábito). Talvez nos falte esse entusiasmo e, no caso de franciscano-capuchinhos, o entusiasmo e alegria de Frei Junípero, que nos revela os sinais da graça divina em suas trapalhadas. O espírito simples de “I Fioretti” precisa ser resgatado! O “homo ludens” franciscano está sufocado em nosso peito e tem muito a dizer para a modernidade. O vinho esta acabando e esquecemos de convidar Jesus para nossa festa. Quem transformará nossa água em vinho?

Às vezes nos falta a humildade de sentar aos pés do mestre e aprender dele como Maria de Betânia, escutar atenciosamente o que ele tem a nos comunicar, fazendo essa experiência de se tornar discípulo. Fazer a experiência kenótica com o mestre para comunicá-lo, descer nos profundos da realidade. Nessa mudança de época é necessário: “Tornar-se Jesus para comunicar Jesus”. A interatividade[9] é fundamental nesse nosso aprendizado, devemos integrar as várias dimensões de nosso ser e nos atualizarmos, Parece que empreendemos a viagem a cavalo quando todos os outros já partiram de jatinho. Somos chamados a ser profetas na pós-modernidade precisamos sempre fazer uma boa análise de conjuntura e ver além.

Outro elemento fundamental é a relacionalidade[10] no processo comunicativo. Não devemos reduzir a comunicação somente aos meios. Pensemos que todo o nosso ser é comunicativo. Devemos entender a comunicação no sentido antropológico do termo. Os nossos atos, gestos, nossa maneira de ser é comunicação, o ser humano é comunicativo por natureza. Mas, a nós, cristãos, em especial religiosos cabe o grande desafio de comunicar Jesus-Caminho, verdade e vida[11].

A Vida Religiosa tem por missão ser um prolongamento na história de uma especial presença do Senhor Ressuscitado. Ela é um dom de Deus à Igreja por meio do Espírito Santo. Será que comunicamos o valor de ser consagrado que nos convoca a viver com radicalidade o Seguimento de Jesus casto, pobre e obediente para continuar sua missão no mundo?

O Redemptoris Missio nos diz que “o mundo das comunicações sociais é areópago dos tempos modernos onde o Evangelho deve ser proclamado”[12]. E cabe a nós fazermos o diálogo entre fé e cultura. Atualizarmos a nossa forma de comunicar a verdade de Jesus para o homem da pós-modernidade. Todo carisma está imbuído de comunicação. Ele é comunicação de um dom concedido por Deus para estar a serviço. Os desafios são muitos. Mas é necessário relacionalidade, diálogo, interatividade, abertura, humildade de coração coragem de se atualizar para exercer o profetismo na pós-modernidade, saber fazer as conexões entre os nossos valores e a realidade. Qual o jeito franciscano-capuchinho de comunicar Jesus, hoje?


[1] Reflexão desenvolvida a partir do curso: “Os conselhos evangélicos na ótica da comunicação”, ministrado por Irmã Joana T. Puntel, religiosa paulina, doutora em Comunicação Social pela Simon Fraser University (Canadá)

[2] CHITTISTER, Joan. Fogo sob cinzas – Uma espiritualidade da vida religiosa contemporânea, p.18.

[3]cf. BABIN,Pierre, A era da comunicação,p.5-32

[4] BABIN,Pierre e KOULOUMDJIAN, Marie-France, Os novos modos de compreender- a geração do audivisual e do computador,pp.11-22.

[5] THOMPSON, John B., A mídia e a modernidade - Uma teoria social da mídia, p 135-154.

[6] Redemptoris Missio, p.63.

[7] PETRAGLIA, Isabel Cristina, Edgar Morin – A educação e a complexidade do ser e do saber,p.39-42

[8] cf. THOMPSON, John B., A mídia e a modernidade- Uma teoria social da mídia,p.20-25

[9] cf. LÉVY, Pierre, Cibercultura, pp.77-83.

[10] cf. GEBARA, Ivone, Rompendo o silêncio - uma fenomenologia feminista do mal, 188-201.

[11] BONATTI, Mario, Liturgia, Comunicação e cultura, pp39-44.

[12] Redemptoris Missio n. 37 p.63

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

No abandono, encontro o amado.

Na solidão,

Na escuridão,

Abandonado por todos

Tudo parece perdido

Somente

Silencio e desolação.

Aquela tristeza

No fundo da Alma.

O coração partido

Uma aridez interior.

Sem ter por quem esperar

Desesperança e o deserto

Abandono interior

a intensa dor que queima o peito.

Clamo e ninguem responde

Todo o universo permanece mudo.

Gritos silenciosos de desespero.

De uma alma solitaria

De uma solidão absurda

Somente temor e pavor

O ultimo entre os homens

Deixado por todos

O vazio interior

No fundo do poço

Nessa condição

Encontro forças pra lutar

O meu amado não me abandona

O Esposo fiel

Ele está sempre comigo

Seguro nas mãos Dele

Não deixarei O mais.

Ele è minha segurança

Me consola e faz seguir adiante.

Esperança que me faz lutar.

O olhar



O que havia no olhar daquele homem?

Que olhou a pecadora com ternura.

Olhou e disse nao peques mais

Olhou e disse :”vem e segueme”

Olhou e disse: menina levanta-te

O que transmitia esse olhar?

Olhar que ilumina o coraçao da gente.

Faz sentir Deus que nos ama

Acolhe

Integra

Plenifica.

Muda o sentido da nossa vida

Olhar que le nossa alma.

Que ve atraves das aparencias

Olhar que desarma os violentos

Acaricia os carentes.

Da um sentido a vida de quem esta perdido.

Mostra uma vida nova a quem caminha nas sombras

Esse olhar que ilumina a nossa vida

Quando somos vistos por esse olhar

E olhamos e nos deixamos olhar

Nos deixamos tocar profundamente

E nossa vida

Nunca nunca mais

Sera

A mesma.