domingo, 31 de março de 2013

Como sentimos o início do novo Pontificado.*






Com muita alegria e entusiasmo,começo a dar minhas primeiras impressões sobre nosso novo Pontífice Francisco. Acabava de ser eleito e aparecia diante do seu povo, com humildade, discriçao e demonstrando ser apenas um servidor, um Bispo de Roma, sem despertar aquele sentimento de “Papa-idolatria” que vemos presente na atitude de muitos cristãos-católicos, que muitas vezes não tem culpa, pois tudo é parte um efeito que produzido por uma causa.


O Papa Francisco demonstrou claramente, que antes mesmo de ser o máximo dirigente da nossa Igreja, já vivia de maneira austera, fazendo sua própria comida, andando de condução pública, mesmo podendo disfrutar de todos os privilégios do seu cargo. Ele percorria a periferia de Buenos Aires e compartilhava a dor daquele povo que sofre o descaso das autoridades vivendo na mais absoluta necessidade e abandono.


Esse é o verdadeiro sinal de quem entendeu o Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo, Francisco intuiu o espírito das Escrituras partindo da base do amor incondicional a Cristo, do desapego material, e porque não do estatus que lhe permitia ter muitos privilégios. Ele sabe que não adianta pregar os valores divinos desde do conforto de um palácio, andando de carro do ano, coberto de ouro e de dinheiro diante de tanta dor e sofrimento, isso seria quase que uma ofensa pra essas pessoas que esperam de nós cristãos e de nossas autoridades eclesiásticas um compromisso sério e verdadeiro, sem demagogia, porque pra isso já estão os nossos políticos.


Nosso Papa está demonstrando que veio pra colocar as coisas no lugar onde sempre deveriam ter estado desde o princípio. Muitos estão escandalizados porque Ele usa um crucifixo de metal, um trono simples de madeira, não quer estar rodeado de mordomias, quer ser apenas o que ele é, e se propôs a viver desde o dia que saiu de casa pra entregar sua vida ao Senhor na vida consagrada como jesuíta.


Isso é só o começo, estamos começando a ver o que pra muitos é uma revolução e saídas constantes do protocolo, uma volta ao primeiro amor, e às nossas origens. Sim! Estamos aqui pra seguir a Cristo sem nos deixarmos escravizar por costumes inventados e rituais que não nos permitem aprofundar na essência dos valores divinos. O Papa Francisco só está sendo fiel à sua consciência como ser humano, como seguidor de Cristo e inspirado em Francisco de Assis, que foi uma das pessoas que mais levou a sério o que pedia Jesus na sua passagem pela terra e posteriormente nos evangelhos.


Se somos cristãos de verdade não nos podemos permitir o luxo de querer ser tratados como senhores e privilegiados, somos apenas servos e servas inúteis.Quando uma pessoa se deixa rodear tanta comodidade, ela acaba se esquecendo de quem realmente precisa de apoio, de carinho e solidariedade.


O Papa Francisco vem nos recordar que ser cristão,significa servir,estar atento às necessidades que nos rodeiam, estar próximo e acolher a todos e estar em contínuo diálogo com nosso Pai Celestial para fazer o melhor em cada situação.Ele não anda com rodeios, é simples e direto, com ele nos sentimos mais igreja e mais perto de Cristo. Rezemos continuamente por Ele, pois foi seu primeiro ato quando se aprensentou naquele balcão do Vaticano como nosso novo pastor. Esperemos em Deus um novo tempo, mais cheio de amor e de solidariedade com todos os nossos irmãos, com a nossa irmã natureza e tudo o que nos rodeia. Sigamos a Jesus enquanto ha tempo, sua força não nos faltará.






Missandra Viera Magalhães- Espanha.


* Esse artigo foi escrito pela minha amiga Missandra Vieira Magalhães que vive na Espanha tentando expressar um pouco do que o povo sente com a eleição do novo Papa e as suas ações.

terça-feira, 19 de março de 2013

Tema : Preconceito no Projeto incentivo a leitura no Alice Maciel.


Recordo com muito carinho a minha participação no Projeto de incentivo a leitura em Santo Anastácio no Alice Maciel,  escola que  estudei e que tneho muitas recordações.  Foi realmente um presente de Deus receber o convite da Prof. Ester Alves, uma  grande amiga para um bate papo legal com os jovens sobre o tema do preconceito. 
Várias emoções foram despertadas quando me fez  a surpresa de convidar a minha primeira Professora Dona Dolores. 
A oportunidade de poder dialogar com todos esses jovens que com certeza ali no meio tenha enfrentado os mesmo problemas que enfrentei e poder dar uma palavra contando a minha história de vida e os estudos e a experiência que estou fazendo nesses momento como frade capuchinho conhecendo várias realidades no mundo inteiro.

Frei Emerson Aparecido Rodrigues,OFMcap.

domingo, 17 de março de 2013

Francisco, o Papa que pedi a Deus.






Como estamos acostumados a dizer popularmente: " Deus é brasileiro", disso não tenho certeza, mas o Papa é argentino  e com o seu jeito simples e humano de ser está 
conquistando todos até mesmo as pessoas mais afastadas da Igreja com o seu jeito autentico, simples e humano e natural de ser e de agir, que expressa a naturalidade do continente latino-americano esse jeito próximo, irmão, acolhedor e relacional.
O cardeal Jorge Mario Bergoglio, atual Papa Francisco é realmente um homem de Deus e do povo e podemos dizer que realmente foi uma obra do Espírito Santo que tenha sido eleito o Vigário de Cristo para conduzir a Igreja nesse nosso tempo em que a Igreja na sua hierarquia e expressão institucional passa por tantas crises e precisa de imediata reforma para que possa atingir a sua missão evangélica de ser a Esposa de Cristo que caminha com a humanidade.
Sendo bispo em Argentina ou o bispo de Roma tem demonstrado que não renuncia ao seu jeito  de ser. Esse homem que pelo seu testemunho tocou o Evangelho de Cristo em contato com os pobres da periferia de Buenos Aires e que insiste em continuar como deixou claro caminhando com seus irmãos e irmãs no seguimento de Cristo.
Desde o momento da sua eleição o Papa Francisco  não deixou de surpreender a todos, em cada momento a sua ação com espontanea tem quebrado o protocolo, seu jeito humano e natural de ser.
No seu primeiro encontro com a imprensa no dia de ontem 16.03.2013  deixou todos maravilhados e  boquiabertos quando declarou: " Desejo uma Igreja pobre e para os pobres"  frase essa que hoje  está em todas as redes sociais nos vários perfis de todos os católicos, mas também de tantas pessoas que não se identificam com a Igreja Católica, mas acompanham esse Papa com simpatia e respeito. A sua postura revela que continuara fazendo como bispo de Roma o seu papel de pastor que cuida dos pobres que é próximo aos irmãos e irmãs, sendo um irmão entre todos, um bispo pastor.
A sua decisão de não impor a sua benção também as "não-crentes" que estavam presentes a sua entrevista coletiva como sinal de respeito as consciencias dos presentes, e ao invés abençoando a todos com a prece feita no silêncio do seu coração, foi com absoluta certeza um silêncio gritante que anuncia uma mensagem de uma pessoa que tem  reconhecimento da alteridade e respeita  as diferenças tendo a capacidade de dialogar com o outro, com o diferente vencendo a tentação que temos de assimilar o outro fazendo parte  de sí mesmo como uma coisa única, postura não respeitosa em relação a diversidade.
Sem conta o gesto de acariciar o cão-guia  de um deficiente visual que estava presente, gesto esse que foi aplaudido por todos e do mesmo modo apreciado.
Outra reflexão que faz toda a diferença é sublinhar que o Vigário de Cristo é importante  e deve existir, mas  a centralidade é de Cristo, o importante é Cristo, Ele é o centro e não Pedro.
Hoje dia 17.03.2013 na missa em Santa Ana na cidade do Vaticano o Papa Francisco, o Bispo de Roma como Ele mesmo falou de sí cumpriu outro gesto significativo após a missa se colocou diante da porta  a saudar com um abraço, um beijo, um aperto de mão cada um dos presentes e sempre se recomendando as orações . Todos eram contentes com esse gesto, talvez quem se sentiu em dificuldade foram os seguranças.
Na oração do Angelus hoje dia 17.03.2013 ao meio dia  a mensagem central era sobre a misericórdia de Deus, que perdoa sempre e está sempre disposto a perdoar não se cansando nunca e recordava o Papa, que muitas vezes somos nós que nos cansamos de pedir o perdão de Deus e a sua misericórdia. O belo é que Francisco não se limitou a falar teoricamente da misericórdia e ilustrou o exemplo falando da experiencia concreta de seu diálogo com  uma vovozinha, em Buenos Aires,  que  falava que Deus perdoa sempre e  se assim não fosse o mundo não existiria mais, e afirmava isso,  com uma segurança e uma firmeza assustadora que Ele perguntou se Ela tinha estudado na Universidade Gregoriana aqui em Roma. Conclui dizendo que temos que aprender com Maria, porque Ela segurou nos braços a misericórdia de Deus feita homem.
Esse Papa tem um carisma próprio e um jeito realmente de pastor, um bispo pastor. É simples e parte de exemplos simples e claros e se propõe a caminhar com o povo santo de Deus que é a  Igreja para que ela seja edificada em modo de ser pobre e para os pobres é um sacramento que resplende como sinal da atualidade da mensagem evangélica em nosso tempo.  Como nos pediu o Papa rezemos por Ele para que seja forte  e possa cumprir a missão a qual é chamado  de uma Igreja pobre e para os pobres onde Cristo seja o centro irradiador.

Roma, 17 de março de 2013.

Frei Emerson Aparecido Rodrigues, OFMcap.


O Papa Francisco é uma nova esperança para a Igreja

http://radiofmboituva.blogspot.it/2013/03/o-papa-francisco-e-uma-nova-esperanca.htmlhttp://radiofmboituva.blogspot.it/2013/03/o-papa-francisco-e-uma-nova-esperanca.html

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Celebrar o Dom da Vida



 Quero compartilha com meus irmãos, que desde ha algum tempo estou convicto que é muito bonito quando escrevemos algumas linhas no necrológico sobre algum frade, e não menos verdadeira, porém, para mim é bem mais interessante poder dizer enquanto ainda podem me ouvir ou ler.
Hoje vou falar do Frei José Antonio Leonel Vieira, ele nasceu no dia 24/11/1918, cidade de Piraju-MG. Eu não sei muito sobre a sua infância, mas sei que com vinte anos esse jovem fez a profissão temporária, após o noviciado no dia 04/02/1938 de alguns anos depois a Profissão Perpétua, no dia 05/02/1941 optando de modo definitivo por ser capuchinho por toda a vida e mais tarde continuando a sua caminhada vocacional foi ordenado presbítero no dia 08/12/1943.
Quando conheci Frei Leonel era um menino já bem crescido, não sei falar sobre como foi quando era formando capuchinho e nem sobre os desafios da sua vida ministerial, como reelaborou a formação recebida. Mas posso falar do Frei Leonel que comecei a conhecer no ano 1999 e continuo conhecendo até hoje: no seu jeito de ser capuchinho um tanto poético e idealizador, mas ao mesmo tempo com os pés bem firmes no chão e atento a realidade. Homem de ação e ao mesmo tempo de contemplação: uma pessoa de profunda oração e intensa espiritualidade eucarística e ao mesmo tempo de intensa ação social, todos sabem das obras conduzidas por ele desde quando foi trabalhar na periferia e lá deixou marcas da sua presença. Capaz de fazer-nos maravilhar citando o “Pequeno Príncipe” de Antoine de Saint- Exupéry num retiro e ao mesmo tempo de ficar maravilhado com as suas posições muito modernas para nós. As suas posições teológicas são bem atualizadas, e tem opiniões de maravilhar e tudo exposto num modo argumentativo e sistematizado. Uma pessoa sincera, espontânea e franca capaz de dizer as coisas como pensa as pessoas, mas principalmente aos superiores, mesmo quando não concorda com as atitudes, ou as posições tomadas. Crítico e honesto ao mesmo tempo. Era impossível sair das suas aulas de teologia para leigos, sem se sentir questionado ou ao menos inquieto com algumas questões. Seu modo de proceder é de uma pessoa que prima por uma fé, mas uma fé pensada. Frei Leonel realmente ajudava os seus alunos a buscar a inteligência da fé. Entrando no mérito da questão a sua paixão pelas iniciativas tomadas e ensinadas pelos documentos do Concilio Vaticano II, e um dos seus autores preferidos sem dúvida é Bernard Häring (1912-1998) que penso que ele assimilou bem a obra: “Livres e fiéis em Cristo”.A celebração litúrgica vivida como sempre enfatizou nas suas homilias, e a liturgia eucarística não lida. Mas, recitava o ritual não simplesmente repetindo o que estava escrito, procurava realmente vivenciar o momento da celebração eucarística. Digamos que mesmo não se concentrava totalmente sobre a forma, mas se pode dizer que o conteúdo era esplendido. Um intelectual, mas não de escritório uma pessoa que tem um bom conhecimento e cultura, mas não se enaltece do seu conhecimento consegue conjugar esforço intelectual e sabedoria de vida..A pessoa que vive humildemente é o verdadeiro sábio. O seu entusiasmo pelo ser humano e no modo que insistentemente repete sobre a necessidade de descobrir um humanismo, o quanto é importante ser humano e compreender-se como humano e o agir do verdadeiro ser humano.




Frei Emerson Aparecido Rodrigues – Roma-Italia


Sua missão em Americanópolis foi construir um prédio para o atendimento às crianças; em Peruíbe, fundou uma casa de encontros religiosos, pedagógicos e políticos, a Colônia Veneza. Foi o fundador de Grupo de Jovens e do Centro de Juventude Santa Terezinha, em Pedreira. Presidiu o CEPE - Centro Ecumênico de Publicações e Estudos. Dedicou-se ao trabalho junto aos índios da aldeia Parelheiros e aos moradores da comunidade de periferia. Como presidente do CESCP - Centro Social Comunitário Jardim Primavera criou o grupo de alfabetização de jovens e adultos, além da creche, organizou o grupo da terceira idade, a Pastoral da Saúde e da Juventude, o Projeto Raiz e a Casa do Jovem Frei Leonel.                                                                                     No ano de 2002 Frei José Antônio Leonel Vieira, recebeu na Sala da Comissão de Educação, Cultura e Esportes, o título de Cidadão Paulistano, segundo o Projeto de Decreto Legislativo 32/01 de autoria do nobre Vereador Carlos Giannazi, cidade de São Paulo/SP.        Hoje aos 94 anos, cansado devido ao peso da idade e a saúde já debilitada, Frei Leonel não perdeu o entusiasmo pela vida e alegra a fraternidade com seus esquecimento devido o “alzheimer”. Dos dias 14 – 23 do mês corrente, fez “férias” na Fraternidade Nossa Senhora dos Anjos, mas seu amor pela cidade de São Paulo e por ainda achar que é jovem, falou mais alto e retornou para casa. Celebrou com nossa fraternidade seu aniversário natalício no último dia 24, agradeceu e manifestou a alegria de ser frade capuchinho.                                                                              A elegância e a simpática fazem parte da vida desse nosso irmão, que Deus conceda a você Frei Leonel saúde e paz, para bem viver o dom da vida enquanto lhe for permitido. PARABÉNS!!!! Por mais uma primavera no jardim de sua vida.                                                                                                                                           
                       Frei Leandro Vaz da Costa.


sábado, 21 de julho de 2012

O Testamento Espiritual de Frei Luís Quadrelli de Pietrasanta (1897-1974)


A teologia espiritual tem como objeto do seu estudo a “experiência de Deus” chamamos atenção, ao evidenciar essas palavras, colocando-as entre aspas, mesmo se as usamos não seriam adequadas e “experiência”, dentro desse contexto pode ser entendida sempre como de, sinônimo de “vivido”. Colocamos advertência em relação aos termos por dois motivos:

O primeiro que não é verificável a “experiência de Deus”, como na compreensão que temos dessa palavra na sua atribuição cientifica, o fazer experiência, cientificamente falando, entendida como aquilo que se pode medir,  ou analisar, desmontar, comprovar, como se pode fazer com um corpo, através da utopsia, ou com objeto, por exemplo, uma cadeira, é possivel desmontá-la medi-la e falar em termos quantitativos e qualitativos, no que se refere a experiencia de Deus, não é possível atingí-la diretamente, em sí mesma. Justamente, por isso,  o instrumento  privilegiado para nos  aproximarmos,   o quanto possível desse relacionamento com Deus, vivenciado pelo ser humano na sua integridade é analisando os seus escritos e testemunhos, onde podemos colher os elementos que podemos usar para compreender o quanto possível é essa experiência.

O segundo é  que  o termo “experiência” nesse caso  é utilizada não no sentido empírico-prático, de algo misurável e demonstrável quantitativa e qualitativamente, mas deve ser entendido de outra maneira, já que não encontramos uma palavra mais apropriada para descrever, essa  vivencia experimentada pelo indivíduo que se relaciona com Deus, mas pode ser entendida no sentido de, vivenciado, vivido existencialmente, experimentado, como relação  com Deus.[1]

Nesse pequeno texto nos propomos a repercorrer o Testamento de Frei Luis Quadrelli explicitando momentos tidos como fortes na sua experiência, como a vocação e como ela é vista por ele, o seu ministério pastoral em favor da TOF, e a fundação da sua obra mais importante a Pequena Companhia de Santa Isabel dando uma enfase especial no perfil traçado por ele, para as suas consagradas no seu Instituto.

No que se refere ao Frei Luis Quadrelli de Pietrasanta(1897-1974), o  fundador do que hoje é o Instituto Secular Pequena Fraternidade Franciscana de Santa Isabel da Hungria, na época uma pia união formada por tercíarias franciscanas chamada, Pequena Companhia de Santa Isabel, nome dado por ele elo fundador que propunha as tercíarias viver segundo o modelo da santa padroeira, em oração e na prática da caridade.

Segundo o nosso parecer o texto que mais revela  a profundidade da sua experiência com Deus e os traços particulares da sua espiritualidade especifica e do carisma deixado por ele ao Instituto fundado por sua iniciativa é o texto: “Come Testamento Spirituale”, traduzido por nós ano de 2011, com o título correspondente, Como Testamento Espiritual, é uma longa carta escrita por ele,  e denominada Testamento Espiritual[2]. Foi escrita  no Convento de Montughi, no dia 18 de outubro de 1969.[3]

Segundo  o nosso modo de entender o conteúdo abordado pode ser dividido em dois eixos temáticos unidos entre sí: o primeiro eixo temático no que se refere a vocação e ministério pastoral iniciando a página 7 e se estendendo até a página 17, todo relato do primeiro momento, onde  conta a sua vocação franciscana e presbiteral,  e no segundo momento o desdobramento dessa vocação  no  seu intenso apostolado da pregação e da assistencia espiritual a que hoje chamamos Ordem Franciscana Secular, na época Ordem Terceira Franciscana, da qual nasce a pia união chamada Pequena Companhia de Santa Isabel que se tornará Instituto Secular. O segundo eixo temático inicia a página 17 onde o fundador começa a contar aquilo que se refere a fundação da Pequena Companhia como nasceu, com qual objetivo, e como foi colocada em prática essa iniciativa, por quais motivos, e no fundamentar a finalidade da instituição, ele  especifica os tratos fundamentais do que caracterizam o modo de ser e de agir das irmãs tercíarias franciscanas  de santa Isabel.

Uma primeira coisa importante é recordar esse genero literário chamado Testamento, no qual geralmente os fundadores, os mestres espirituais ou as pessoas que tem responsabilidade de guiar algum grupo manifestam a sua  ultima vontade, alguns elementos essenciais para a fidelidade aquele estilo de vida e aquele carisma especifico, em outras palavras exprime a sua herança espiritual.

Nesse caso o fundador escreve os seu pensamento  ao grupo que conviveu com ele para que não se desvie da fidelidade ao caminho traçado. No caso desse nosso fundador desde o inicio do texto é bem claro a quem é dirigida a carta  e os pensamentos nela redigidos, as suas filhas espirituais: “ as irmãs de santa Isabel”[4]

Outro elemento importante a ser levado em consideração que normalmente quando um fundador ou uma fundadora procura sintetizar num escrito o seu Testamento, teve a oportunidade de percorrer toda a sua vida considerando-a sobre a condução de Deus e percebendo a presença Dele nos mais variados eventos da sua vida, e esse recordar faz memória de toda a sua história com Deus, vendo toda a sua vida e vocação sob o influxo da graça de Deus.

É interessante que Frei Luis Quadrelli concebe a sua vocação religiosa franciscana não como algo individuale e separado do contexto, mas dentro de uma leitura eclesial, porque vê como  a graça de Deus o dom de receber o chamado da parte de Deus  através da colaboração de tantos outros homens e mulheres que considera como instrumentos de Deus no discernimento  da sua vocação e colaboradores de Deus no seu projeto.[5]

A vocação é um mistério da parte do amor gratuito de Deus e somente porque nasce da gratuidade de Deus, o ser humano é capaz  de iniciativas de entrega e de abandono aquela que se tem como a Divina Providencia. A vocação é uma resposta de amor porque quem chama nos amou por primeiro e a partir do momento que o ser humano vem conduzido e introduzido nessa perspectiva do mistério sente o desejo de responder com gratuidade.

Porém Deus age na nossa história não intervindo diretamente, mas usa instrumentos, que Frei Luis Quadrelli reconhece que são instrumentos de Deus na descoberta da sua vocação: o seu Pai[6], os missionários franciscanos[7], o Frei João Bresciani, que o chama de o frade da Renilda[8]. Tantas vezes essas pessoas falaram muito mais com o seu testemunho, mais que com as suas palavras e conduziram o pequeno Estevão (Stefano), que é Frei Luís, a responder a graça da vocação a qual ele considera uma grande graça que é a vocação religiosa e presbiteral e ainda mais o uso que o Senhor fez dele.[9] Como frade capuchinho e presbítero o nosso fundador recebeu um outro chamado o do ministério da pregação e como pregador percorreu diversos pulpitos da Itália, também como missionário popular.

Mas o Senhor preparou o seu coração para um grande amor a Ordem Terceira Franciscana que hoje é Ordem Franciscana Secular, por essa o frade capuchinho foi apaixonado e fez todo tipo de iniciativa para promover a sua difusão porque acreditava na espiritualidade franciscana secular como um caminho cristão possível e frutuoso para todo batizado, que procurava de viver de maneira plena a perfeição da caridade assumindo plenamente a missão  do cristão no mundo  e ao mesmo tempo faria muito bem as paróquias e as cidades onde as pessoas se tornassem seriamente tercíarios.

Ele foi um apaixonado pelos santos franciscanos aos quais construiu monumentos para render homenagem[10] e se desdobrou  na assistencia a TOF, quase ao ponto de por onde passava formar uma fraternidade da TOF.  Trabalhou incansavelmente na organização da Terceira Ordem Franciscana para que fosse mais eficaz e organizada e com isso pudesse dar melhores resultados trabalhou a nível, local, distritual regional, provincial e nacional, e foi um dos fundadores do Centro Nacional da TOF, em Roma.[11]

Do seu apostolado em favor da TOF nasce a obra que ele considera, a “Pupila dos seus olhos”[12], que nasce da Ordem Terceira e para Ordem Terceira, a Pequena Companhia de Santa Isabel que hoje se chama Instituto Secular Pequena Fraternidade Franciscana de Santa Isabel da Hungria, mesmo sendo ele o fundador e o idealizador  não concebe essa obra como uma idéia ou uma  obra puramente sua simplesmente, mas a reconhece com um olhar sobrenatural centra a atenção convegendo o olhar para aquilo que de fato a Pequena Companhia é uma obra nascida por  inspiração de Deus  e por isso, deve deixar-se ser  conduzida pela vontade Dele para corresponder a sua finalidade de ser escola de alta espiritualidade franciscana no mundo.[13]

O fundador  traça aquilo que podemos chamar de o perfil espiritual da irmã franciscana de Santa Isabel, que redigi resumindo em poucas palavras: É uma esposa de Jesus[14] que para corresponder  a sua vocação de consagrada segundo  o exemplo de Santa Isabel, deve continuar alegre mesmo na dor e amar a todos, inclusive, os que a perseguem, e porque agindo   segundo esses principíos, deve refletir nos seus gestos e na vida a imagem de São Francisco e Santa Isabel, e pelo seu testemunho atrair as almas para a vida evangélica.[15] Segundo o nosso modo de ver aqui se apresenta o núcleo do que deve ser essencial em inspirar a vida das franciscanas de santa Isabel.



 Bibliografia.



Frei Luis Quadrelli de Pietrasanta, Como Testamento Espiritual,  Teixeira de Freitas, 2011.

Giovanni Moioli,  L’esperienza spirituale. Lezioni introduttive, Milano, 1992, p.54-56.





[1] Cfr. Giovanni Moioli,  L’esperienza spirituale. Lezioni introduttive, Milano, 1992, p.54-56.
[2] Frei Luis Quadrelli de Pietrasanta, Como Testamento Espiritual,  Teixeira de Freitas, 2011, p. 22.
[3] Frei Luis Quadrelli de Pietrasanta, Como Testamento Espiritual,  p. 3.
[4] Frei Luis Quadrelli de Pietrasanta, Como Testamento Espiritual,  p. 7.
[5] Frei Luis Quadrelli de Pietrasanta, Como Testamento Espiritual,  p. 9.
[6] Frei Luis Quadrelli de Pietrasanta, Como Testamento Espiritual,  p. 9.
[7] Frei Luis Quadrelli de Pietrasanta, Como Testamento Espiritual,  p. 10.
[8] Frei Luis Quadrelli de Pietrasanta, Como Testamento Espiritual,  p. 10-11.
[9] Frei Luis Quadrelli de Pietrasanta, Como Testamento Espiritual,  p.11.
[10] Cf.Frei Luis Quadrelli de Pietrasanta, Como Testamento Espiritual,  p. 13.
[11] Frei Luis Quadrelli de Pietrasanta, Como Testamento Espiritual,  p.15-17.
[12] Frei Luis Quadrelli de Pietrasanta, Como Testamento Espiritual,  p. 21.
[13] Frei Luis Quadrelli de Pietrasanta, Como Testamento Espiritual,  p. 22.
[14] Frei Luis Quadrelli de Pietrasanta, Como Testamento Espiritual,  p. 23.
[15] Frei Luis Quadrelli de Pietrasanta, Como Testamento Espiritual,  p. 22.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Frei Salvador Pinzetta (1911-1972)




Frei Salvador Pinzetta Casca - RS * 29-07-1911 +31-05-1972



"Sou o que sou diante de Deus"






Destacou-se pela vida de oração, pela devoção à Eucaristia e pela extrema simplicidade de vida.
RegistroIniciou sua vida com os capuchinhos no dia 02.02.1944, Festa de Nossa Senhora, em Marau. Ingressou no Seminário Sagrado Coração de Jesus, em Flores da Cunha, no dia 22.03.1944. Teve como Mestre do Noviciado o Revmo Pe. Frei Fulgêncio. Recebeu o nome religioso de Fr. Salvador de Casca. Professou no dia 06.01.1946, nas mãos do celebrante frei Alberto Stawinski. Sua Profissão Solene, no dia 06.01.1949, nas mãos do frei Agostinho Bizotto, também, em Flores da Cunha. Desempenhou suas funções, em Flores da Cunha(1944-1946), em Garibaldi(1946-1948) e, novamente em Flores da Cunha (1948-1972). Sempre em trabalhos domésticos e serviços gerais: cozinheiro, no jardim, horta, coleta de uvas, fabrico de vinhos e apicultura. Participou, do 1º Capítulo Provincial Extraordinário, que realizou-se no ano de 1945, como Perito, no Convento em Flores da Cunha. Viveu como pensava:" Ser santo não é fazer milagres; é amar a Jesus de todo coração e entregar-se a Ele sem reservas; é crer firmemente em seu amor e fazer, só, unicamente e em tudo, a vontade de Deus". Suas virtudes, são lembradas e citadas, por superiores e estudantes, a destacar: caridade, humildade, pobreza (um viver desapropriado), obediência (a virtude da escuta), castidade (transparência de vida). Celebrou no dia 06.01. 1971 seu Jubileu de vida Religiosa (25 anos). Faleceu no dia 31.05.1972, às 18horas, no Hospital N. Sra de Fátima, Flores da Cunha, vítima de um acidente vascular cerebral (AVC). Contava 61 anos e, pouco mais de 28 de vida capuchinha. Era véspera de Corpus Christi, intensificavam-se os preparativos para a procissão eucarística. No dia seguinte os fiéis tomaram conhecimento de sua morte. Na missa solene, de corpo presente, concelebrada por 40 sacerdotes, o Bispo Diocesano, Dom Benedito Zorzi, enalteceu a figura exemplar do irmão capuchinho Frei Salvador Pinzetta, caracterizando-o como "homem eucarístico". Cerca de 4 mil pessoas desfilaram diante de seu corpo, na Igreja Matriz para despedir-se do "frei santo", "amigo dos enfermos", 'homem eucarístico". Seu enterro coincidiu com a Festa de Corpus Christi, e a tradicional Procissão Eucarística, foi substituída pelos funerais do frei Salvador. Foi sepultado no jazigo dos Frades Capuchinhos. Lugar que ele muito visitava. A partir daquele dia, tornou-se ponto de visitação e de peregrinação. No dia 21.02.1978, o Revdo Fr. Adelino Pilonetto, foi constituído Vice-Postulador, para introduzir a causa da Beatificação de Frei Salvador. No dia 10.01.1980, foi feito o encaminhamento do processo, por Dom Benedito Zorzi, Bispo Diocesano de Caxias do Sul. No dia 26.07.1988, os restos mortais do frei Salvador, foram transladados do Cemitério Municipal, para o jazigo, especialmente construído no interior da Igreja Matriz Nossa Senhora da Lourdes, em Flores da Cunha. A primeira biografia sobre Frei Salvador, foi escrita por Frei Achylles Chiappin e editada pela EST edições, no dia 26.05.1988. A segunda foi escrita por Frei Adelino Gabriel Pilonetto e impressa pela Editora São Miguel, no dia 19.12.1991. A terceira "Frei Salvador Pinzetta - Sou o que sou diante de Deus", de Antonio Coloda, Felipe A. Salvador, Frei Santos Carlos Coloda e Valentim A. Coloda, EST edições - 2005. Em Flores da Cunha é homenageado com nome de rua e de farmácia. No dia 12.09.2004 teve início a celebração mensal da missa no Eremitério Frei Salvador, Flores da Cunha/RS.




Informações pessoais: À Pia Batismal recebeu o nome de HERMÍNIO PINZETTA, filho de Fiorentino Pinzetta e Isabela Romani. É o segundo dos treze irmãos. Sua irmã mais velha, tornou-se religiosa (Irmã Flora) da Congregação das Irmãs Carlistas-Scalabrianas.